Pages

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Romaria Oficial da diocese de Blumenau (SC)!!!

Neste domingo 27/06/2010 a Romaria Oficial da diocese de Blumenau (SC) com 1.500 fiéis em mais de 50 ônibus, a romaria veio ao Santuário em Ação de Graças aos 10 anos da diocese.

“Viemos celebrar com a Mãe da Igreja. Trouxemos a Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que desde outubro do ano passado visita todas as nossas paróquias e comunidades. Temos muito a agradecer pelo dom dessa visita”, disse o bispo de Blumenau, Dom José Negri.

O bispo emérito de Blumenau, Dom Angélico Sândalo Bernardino, que acompanhava a romaria, afirmou que depois de uma década de existência da diocese é preciso revigorar as forças.

“Aos 10 anos é preciso nascer de novo. Com novo entusiasmo, novo vigor, novos métodos, novas manifestações na evangelização, conforme nos pedia o papa João Paulo II”, afirmou o bispo emérito.

Dom Angélico ainda comentou sobre as chuvas que atingiram o nordeste do Brasil e deixaram centenas de desabrigados, fazendo referência as enchentes que assolaram Santa Catarina no ano passado.

“É um momento de imensa solidariedade. Quando Santa Catarina foi assolada pelas enchentes, a solidariedade nacional foi realmente edificante. Eu estava lá com aquela população e pude contemplar o oceano de solidariedade que envolveu a bela Santa Catarina”, disse Dom Angélico.

O bispo emérito de Blumenau ainda deixou uma mensagem aos fiéis, para que sejam solidários com as vitimas das chuvas em Alagoas e Pernambuco.

“Todos nós precisamos abrir o coração para gestos concretos de solidariedade, pois é de maneira especial nestes momentos, que nos manifestamos humanos. Uma das qualidades do ser humano é justamente a solidariedade. Que Nossa Senhora Aparecida abençõe essas populações sofridas e a todos que tiverem um gesto de solidariedade que Deus retribua com bênçãos e prosperidade”.

+ Dom José Negri (PIME) Bispo Diocesano de Blumenau SC

+ Dom Angélico Sândalo Bernadino Bispo Emérito de Blumenau SC

Chamados à santidade!!!

Reflexão de Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

RIO DE JANEIRO, domingo, 27 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Publicamos o artigo de Dom Dom Orani João Tempesta, O. Cist., arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, sobre a santidade sacerdotal.

Dias atrás encerramos o Ano Sacerdotal, que foi marcado por muitas celebrações, missas, adorações, palestras, conferências, seminários, peregrinações, horas santas. O Papa Bento XVI foi muito feliz e inspirado ao dedicar o tema do sacerdócio neste último ano, por ocasião dos 150 anos de falecimento de São João Maria Vianney. Tudo o que foi celebrado e meditado levou os Sacerdotes a refletirem ainda mais sobre a beleza do que é ser consagrado e o valor da sua missão. O Padre possui uma grande missão em meio aos desafios dos tempos atuais: "Ser outro Cristo". Foi também uma ótima ocasião para o nosso povo valorizar ainda mais o presbítero e rezar pelo clero e pelas vocações de especial consagração.

Assim como todo cristão é chamado a ser "outro Cristo", muito mais ainda o Sacerdote! Essa intuição não é apenas uma metáfora, mas uma maravilhosa, surpreendente e consoladora realidade. Pelo Sacramento da Ordem, o Sacerdote age in persona Christi emprestando a Jesus Nosso Senhor a voz, as mãos e todo o seu ser, pois é Jesus quem na Santa Missa, com as palavras da consagração, muda a substância do pão e do vinho na do seu Corpo e do seu Sangue. É também o próprio Jesus quem, no Sacramento da Reconciliação, pronuncia a palavra autorizada e paterna: "Os teus pecados te são perdoados" (Mt 9, 2; Lc 5,20; 7,48; Jo 20,23). É Cristo quem fala quando o Sacerdote, exercendo seu ministério em nome e no espírito da Igreja, anuncia a palavra de Deus. É também o próprio Cristo quem tem cuidado com os enfermos, com as crianças e com os pecadores quando os envolve com o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados.

O Sacerdote atua "na pessoa de Cristo"! Esta identificação irrepetível entre Cristo e o sacerdote, delimitando a sua identidade, fica claramente desenhada na "Pastores dabo vobis" - "o Senhor estabelece uma estreita conexão entre o ministério confiado aos Apóstolos e a sua própria missão - ‘quem vos acolhe, acolhe-me a mim, e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou' (Mt 10, 40)"(cf. PDV 14). Os sacerdotes são chamados a prolongar a presença de Cristo, o único e Sumo Pastor.

O Padre é chamado a assumir sua identidade de tal maneira que, além da missão e do serviço, sua vida seja também o sinal de quem se consagrou a Deus com todo o seu ser, ou seja, o esforço da sua luta consiste em ir conseguindo, pouco a pouco, fazer transparecer o rosto de Jesus no seu semblante. A vida espiritual do Padre também deve estar dirigida, toda ela, para conseguir na tela de sua existência o perfil extraordinariamente atrativo do Bom Pastor. Essa tomada de consciência e a caminhada de aprofundamento para se configurar ao Cristo Pastor trarão um júbilo inigualável, do qual emanam os dons da paz e da alegria.

Outro dado completamente associado a esta configuração a Cristo é a santidade. A santidade é o resultado do crescimento pleno da graça batismal. A santidade é a consequência ordinária do amadurecimento da vida espiritual com as consequências existenciais na vida da pessoa. A exortação apostólica Pastores dabo vobis nos fala que essa vocação universal para a santidade "encontra particular aplicação no caso dos presbíteros - estes são chamados não só enquanto batizados, mas também e especialmente enquanto presbíteros, ou seja, por um título novo e de modo original, derivado do Sacramento da Ordem" (Pastores dabo vobis,19). Para o Sacerdote, "uma vocação específica à santidade, mais precisamente uma vocação que se fundamenta no Sacramento da Ordem. Temos alguns elementos que definem o conteúdo da especificidade da vida espiritual dos presbíteros: a sua consagração, que os configura a Jesus Cristo, cabeça e pastor da Igreja; a sua missão, típica dos presbíteros, que os compromete a serem "instrumentos vivos de Cristo, eterno Sacerdote" e a agirem "em nome e na pessoa do próprio Cristo"; enfim, a sua vida inteira vocacionada para testemunhar de modo original a radicalidade evangélica. Portanto, o padre está chamado de uma maneira especial à santidade pessoal para contribuir com o incremento da santidade da comunidade eclesial que lhe foi confiada. O Capítulo V da constituição conciliar Lumen Gentium nos fala sobre esta responsabilidade de levar a cabo a vocação universal à santidade.

+ Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Pesar do Papa pela tragédia das enchentes no nordeste brasileiro!!!

CNBB pede “soluções estruturais”

BRASÍLIA, (ZENIT.org) – Bento XVI expressou sua proximidade às populações do nordeste brasileiro atingidas pelas fortes chuvas e enchentes da semana passada, em que 53 pessoas morreram.

Na quinta-feira, o secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, enviou em nome do Papa um telegrama de solidariedade ao bispo da diocese de Palmares (Pernambuco), Dom Genival Saraiva de França.

Bento XVI “exprime sentidas condolências pelas vítimas e cordial participação na dor das famílias, invocando para estas e feridos e despojados de seus bens, conforto do Senhor e solidariedade humana”.

O Santo Padre “confia à misericórdia divina alma dos falecidos e envia como sinal de solidariedade com todos que sofrem e estímulo para quem lhes socorre, sua bênção apostólica”.

Segundo a Secretaria Nacional de Defesa Civil, no Estado do Pernambuco há 26.797 desabrigados e 53.523 desalojados. Em Alagoas, 26.618 desabrigados e 47.897 desalojados. Ao todo, 53 pessoas morreram e 87 municípios foram atingidos pelas enchentes: 59 em Pernambuco e 28 em Alagoas.

CNBB

Na sexta-feira, a CNBB divulgou nota em que afirma que os bispos acompanham “com muita dor e pesar as notícias que nos chegam sobre as enchentes”.

“Além das vítimas anunciadas pelos meios de comunicação, há milhares de pessoas sofredoras, cujos corações estão despedaçados pelas perdas irreparáveis de entes queridos, de postos de trabalho, de seus pertences, suas propriedades, suas casas e tantos outros valores afetivos e culturais que não podem ser calculados.”

Os bispos responsáveis pelo organismo episcopal manifestam “solidariedade a todos os sofredores, aos quais fazemos chegar nossa palavra de conforto e de esperança”.

“Pedimos ao Deus da vida que dê forças às pessoas que são solidárias, partilham seus dons, seu tempo, seus bens e não medem esforços para ajudar na reconstrução da vida e dos meios de sobrevivência dos irmãos penalizados pelas consequências dessa tragédia”, afirma a nota.

Os bispos assinalam ainda que acompanham “com atenção os esforços dos órgãos públicos governamentais na busca de soluções emergenciais, enquanto aguardamos soluções estruturais”.

A CNBB, juntamente com a Cáritas Brasileira, convoca ao empenho na Campanha SOS Pernambuco e Alagoas. As doações podem ser depositadas no Banco do Brasil, na conta corrente 5821-1, agência 3505-X.


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Evangelho do domingo: o escândalo hipócrita!!!

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, (ZENIT.org) - Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lc 9, 51-62), 13º do Tempo Comum.
* * *
No Evangelho deste domingo, agrupam-se várias cenas de Jesus com seus discípulos, enquanto vão se dirigindo a Jerusalém – um caminho que conduzia a uma meta muito difícil, mas insuperável, porque era o final da vida humana do Senhor. Como refrão deste final de trajeto, aparece o que na verdade foi a constante de toda a existência do Senhor: ser anunciador e inaugurador do Reino de Deus.
A vida de todo discípulo de Jesus sempre será um caminho, um subir a Jerusalém, em cuja andança o determinante e decisivo será o seguimento de Alguém, a pertença a Ele, a adesão à sua Pessoa, a escuta da sua Palavra, a vivência da sua própria Vida. A vida cristã não é, portanto, uma organização, uma estratégia, uma programação moralista nem um marketing religioso. A vida cristã foi e é o pertencimento a Jesus Cristo, vivido como peregrinos e caminhantes, enquanto vamos subindo à Jerusalém eterna. Por esta razão, era improcedente por parte dos discípulos mandar ao fogo os que não acolheram Jesus, quando eles, por sua vez, também o rejeitavam, ao estar adiando seu seguimento quando os convidou a segui-lo.
Nós, discípulos, podemos cair igualmente em uma vivência cristã intolerante dos outros, quando tantas vezes temos pretextos diante da experiência de um seguimento de Jesus que se torne pertença real do nosso coração ao Seu. Tomara que não permaneçamos indiferentes diante de tantas rejeições do Senhor (as que lhe fazem ou as que lhe possam fazer os que Ele vinculou ao seu destino: pobres, marginalizados, doentes, idosos, qualquer pessoa nascida ou não-nascida); mas a melhor maneira de mostrar nossa dor por estas rejeições não é a vingança em qualquer uma das suas formas – como aconteceu com os que acompanhavam Jesus nesta passagem –, e sim nosso acolhimento cordial e grande do Senhor e daqueles que Ele ama. Seria hipócrita nos escandalizarmos e nos indignarmos por tantas desordens em nosso mundo, se, à nossa medida e em nossa proporção, isso também nos acontece.
A atitude justa de quem vê em outros a fuga e o desprezo pelo Senhor não é pedir fogo sobre eles, mas segui-lo aonde Ele for e disser “segue-me”, pertencer-lhe cada vez mais, do nosso lugar na Igreja e no mundo.
+Dom Jesús Sanz Montes (ofm)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Escolhida música do hino da Campanha da Fraternidade de 2011 !!!

A letra do hino da Campanha da Fraternidade de 2011 já havia sido escolhida através de concurso realizado, de setembro a dezembro de 2009. Agora foi escolhida a música. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu mais de 80 músicas e a escolha foi feita por uma equipe formada por profissionais da área liturgico-musical e homologada pelos bispos do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep).
O assessor de músicas da CNBB, padre José Carlos Sala, ressalta a riqueza das composições e a grande diversidade musical, própria da realidade cultural de nosso país. “A letra do hino tem profunda fundamentação bíblica, é um convite à reflexão sobre as agressões à vida no planeta e um impulso maior ao cuidado da vida. Nossa mãe terra, Senhor, geme de dor noite e dia. Será de parto essa dor? Ou simplesmente agonia?! Vai depender só de nós!”, destaca o assessor, citando um dos trechos do hino da CF 2011.
Desde 2006, por decisão dos bispos do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep), o CD da Campanha da Fraternidade traz o hino e o repertório quaresmal correspondente a cada ano.
Segundo o padre Sala, o hino poder ser executado nas celebrações, a critério da equipe de celebração e de quem preside. “Por exemplo, em algum momento da homilia – o que facilitará a vinculação da liturgia da palavra com a vida (tema da CF) – ou nos ritos finais, no momento do envio”.
A Campanha da Fraternidade 2011 tem como tema: Fraternidade e a vida no planeta, lema: “A criação geme em dores de parto.” (Rm 8,22). A letra do hino foi composta pelo padre José Antônio de Oliveira, e a música é de Casimiro Nogueira. A CNBB agradece a todos aqueles que colocaram seus dos poéticos e musicais participando do concurso do Hino da CF 2011.
O hino passará agora pelo processo de gravação para no segundo semestre estar à disposição das comunidades.


LETRA DO HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2011



1. Olha, meu povo, este planeta terra:
Das criaturas todas, a mais linda!
Eu a plasmei com todo amor materno,
Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)



Nossa mãe terra, Senhor,
Geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor?
Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nós!
Vai depender só de nós!



2. A terra é mãe, é criatura viva;
Também respira, se alimenta e sofre.
É de respeito que ela mais precisa!
Sem teu cuidado ela agoniza e morre.



3. Vê, nesta terra, os teus irmãos. São tantos...
Que a fome mata e a miséria humilha.
Eu sonho ver um mundo mais humano,
Sem tanto lucro e muito mais partilha!


4. Olha as florestas: pulmão verde e forte!
Sente esse ar que te entreguei tão puro...
Agora, gases disseminam morte;
O aquecimento queima o teu futuro.



5. Contempla os rios que agonizam tristes.
Não te incomoda poluir assim?!
Vê: tanta espécie já não mais existe!
Por mais cuidado implora esse jardim!


6. A humanidade anseia nova terra. (2Pd 3,13)
De dores geme toda a criação. (Rm 8,22)
Transforma em Páscoa as dores dessa espera,
Quero essa terra em plena gestação!

Achadas em Roma as pinturas mais antigas dos apóstolos!!!

Encontram-se nas catacumbas de Santa Tecla, perto da Via Ostiense
Por Carmen Elena Villa
ROMA, terça-feira, 22 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Em um dos ramais das catacumbas de Santa Tecla foi descoberto recentemente um importantíssimo tesouro da arqueologia sacra: as pinturas mais antigas dos apóstolos (final do século IV). Estão representados Pedro, Paulo, André e João.
O achado, que foi revelado depois de 2 anos de investigações e anunciado no ano passado no L' Osservatore Romano, foi apresentado oficialmente hoje em uma coletiva de imprensa dirigida pelo presidente da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra e do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi.
As catacumbas de Santa Tecla se encontram na Via Ostiense de Roma, a 500 metros da basílica de São Paulo Fora dos Muros.
O achado
As descobertas foram realizadas graças à tecnologia a laser, que conseguiu eliminar uma grossa camada que cobria estas obras, e que foi usada pela primeira vez pelos restauradores em um ambiente estreito, extremamente úmido.
Barbara Mizzei, responsável pela restauração, disse que esta aconteceu "em um momento particular", no qual "não tínhamos nenhuma situação de urgência - porque às vezes trabalhamos com urgência".
Mizzei explicou que a concentração de cal que cobria os rostos dos apóstolos "foi levantada sem tocar a película pictórica" devido a que a umidade permitia ao laser "tocar a compressão calcária", a qual "se transformava e se vaporizava e provocava uma espécie de pequena explosão, que gerava o destacamento".
Contexto histórico
Ao parecer, o cubículo que tinha estas pinturas servia como túmulo de uma mulher aparentemente nobre da aristocracia romana, que viveu no final do século IV, quando em Roma se realizavam as últimas tentativas de defender o paganismo, na época do imperador Teodósio (345-379).
Haviam se passado algumas décadas desde que Constantino aceitara o cristianismo como religião oficial do império. Era, então, a época em que a fé chegou aos mais altos níveis da hierarquia do Império Romano. As mulheres piedosas e as virgens da aristocracia romana prometeram um culto aos mártires e aos apóstolos, na época do Papa Dámaso I (366-384).
Segundo Dom Gianfranco Ravasi, a presença dos apóstolos neste sepulcro "evoca uma espécie de devoção e de protetorado alternativo com relação ao dos mártires romanos, que, de qualquer forma, apareceram nos túmulos das famílias".
Por outro lado, Dom Giovanni Carrú, secretário da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra, indicou que estes trabalhos "devolveram, tanto aos especialistas como aos visitadores, um patrimônio iconográfico muito importante para reconstruir a história da comunidade cristã de Roma, que, com as pinturas que decoram seus cemitérios, expressam sua cultura, sua civilização e sua fé".
A Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra foi instituída pelo Papa Pio IX em 1925. Trabalha na conservação das catacumbas cristãs, na restauração das obras e escavações. Há cerca de 20 anos, vem trabalhando em um projeto de recuperação do patrimônio pictórico conservado nas catacumbas.
A atividade deste organismo vaticano contribuiu para recuperar e conhecer profundamente as catacumbas cristãs da Itália, assim como valorizar um patrimônio cultural e religioso que testemunha a vivência do cristianismo desde as suas origens.

Bispos gregos advertem contra retirada do crucifixo!!!

Respeito aos símbolos religiosos é necessário para a convivência
ATENAS, (ZENIT.org) – Os bispos católicos gregos advertiram que a proibição da exposição do crucifixo em repartições públicas não contribuirá para a convivência pacífica na Europa.
É o que afirmam em um comunicado divulgado em 11 de junho pelo Santo Sínodo da Hierarquia Católica da Grécia, por ocasião da decisão judicial de 30 de junho referente ao recurso da Itália, apoiado por outros países da União Europeia, sobre a sentença que obriga a retirada dos crucifixos das repartições públicas.
O comunicado é assinado pelo presidente do Sínodo, Dom Franghiskos Papamanolis, bispo de Santorini e vigário de Creta, e pelo secretário do órgão, Dom Nikolaos Printesis, arcebispo de Naxos, Andros, Tinos e Mykonos e vigário de Chios.
Para os prelados, “a condenação da Itália, um país de cultura cristã universal e tradição histórica, cuja capital é também sede da Santa Sé Apostólica do Bispo de Roma e centro da Igreja Católica, seria o mais importante de uma série de ações já explicitadas, entre as quais a recusa dos dirigentes políticos e representantes dos países europeus em reconhecer na Constituição as raízes cristãs de nosso velho continente”.
“Uma pequena minoria pode impedir que uma vasta maioria expresse sua fé em conformidade com as tradições de seu povo, mas que ao mesmo tempo, não permitirá que as minorias religiosas sejam impedidas de expressar sua própria fé”, diz o comunicado.
Os prelados insistem no fato de que “o respeito recíproco às tradições religiosas é necessário numa sociedade que se torna cada vez mais multicultural”.
Esta é a única maneira de se “assegurar a convivência pacífica entre todos os credos e tradições, condenando toda forma de fundamentalismo religioso, que só trouxe dor à humanidade”.
Para os bispos gregos, “não se deve proibir a exibição pública de símbolos cristãos em sociedades que têm séculos de tradição cristã, especialmente nos ambientes em que se desenvolve a autoconsciência religiosa das crianças e dos jovens”.
“Seria uma contradição negar o patrimônio espiritual e cultural de um país, cujas raízes fazem parte do futuro”, concluem os prelados.

Dignitas personae e Bioética!!!

Desafios da ciência e da técnica para a ética humana
Por Pe. Gonzalo Miranda L.C.*
ROMA, quarta-feira, 23 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Dignitas personae vinte anos após Donum vitae. A ciência e a técnica prosseguem em seu avanço, que nem sempre e necessariamente comporta um avanço em termos humanos. O Magistério da Igreja analisa sempre com interesse as novas descobertas, invenções e aplicações tecnológicas; analisa-as de um ponto de vista ético, no horizonte do respeito e da promoção da dignidade da pessoa humana, cada ser humano em si.
Em 1987, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a instrução intitulada “O respeito pela vida humana nascente e a dignidade da procriação”. Nesta, apresentava a posição do Magistério católico universal sobre as problemáticas éticas ligadas à aplicação das técnicas de reprodução assistida, então aplicadas em grande escala e com recurso de métodos de fecundação extra-corpórea há apenas dez anos.
Em dezembro de 2008, a mesma Congregação apresentou uma nova instrução, desta vez de título “Instruções sobre algumas questões de bioética”. Apesar da amplitude sugerida por este título, a temática é essencialmente a mesma da Donum vitae.
O novo texto se apresenta com um caráter de atualização, aprofundamento e esclarecimento. Atualização porque, no curso destes vinte anos, muitas novidades surgiram no âmbito da reprodução artificial e assuntos correlatos.
Algumas destas inovações já eram anunciadas nos anos oitenta, outras apenas mais tarde. Pense na crioconservação de embriões humanos, com todos os problemas éticos, psicológicos e sociais implicados. Pense nas tecnologias de diagnóstico pré-natal e na possível eliminação de embriões indesejados. Pense nas propostas de clonagem “terapêutica” ou ainda de congelar os ovócitos ou fazer diagnósticos nos próprios embriões. Um longo etcétera.
No que se refere aos valores em jogo, aos bens a serem protegidos e aos princípios éticos que podem iluminar o uso das novas tecnologias, não era preciso abrir novos caminhos.
Convinha, porém, afrontar explicitamente estas novas fronteiras. O Magistério da Igreja pretende ser dinâmico, propor a luz da razão e da fé para amparar os católicos e todos aqueles que se dispõem a ouvi-lo nos meandros antigos e novos, e frequentemente tortuosos, que se apresentam a nós.
O trabalho de aprofundamento é sempre incompleto. É sempre possível – e com frequência conveniente – ir além. Também neste sentido, o Magistério nos ampara e ilumina. A nova Instrução nos propõe uma avaliação mais articulada do status ontológico do embrião humano, com base nos ensinamentos anteriores, de cunho predominantemente ético. Trata-se, como sabemos, do ponto central e também do punctum dolens, de todas as disputas e posições referentes ao que a técnica é capaz de fazer com os embriões: desde sua produção até sua destruição, passando por sua seleção e manipulação. A iluminação teológica do problema, proposta na primeira parte, enriquece toda nossa compreensão da dignidade inviolável do ser humano que se encontra – como todos nós já nos encontramos um dia – nos primeiros momentos de sua existência e desenvolvimento.
Muitos esperavam por um serviço de esclarecimento sobre esta série de problemas éticos, sobre os quais ainda não se dispunha de um ensinamento magisterial claramente definido e sobre os quais as opiniões de diversos autores divergiam, mesmo entre aqueles que alegavam defender com sinceridade os valores promovidos pela doutrina católica.
Seria eticamente admissível a adoção pré-natal, única via disponível para dar oportunidade aos embriões humanos congelados ou abandonados a prosseguirem em sua existência? Quais intervenções artificiais podem ser consideradas “complementares” e não “substituitivas” ao ato conjugal em vista da assistência à procriação, à luz do ensinamento ofertado pelo Papa XII e sintetizado pela Donum vitae? Podem-se aceitar pesquisas que tenham como objetivo a obtenção de células-tronco do tipo embrionárias, mas que não envolvam a formação ou destruição de embriões humanos? É moralmente aceitável a utilização de medicamentos e tratamentos, tais como vacinas, obtidos a partir de estudos que lançam mão de material biológico de origem ilícita?
Sobre alguns destes dilemas, a Instrução oferece um discernimento claro e articulado – por exemplo, no que se refere ao uso de material biológico humano de origem ilícita.
Com relação às técnicas para obtenção de células-tronco pluripotenciais sem a produção de embriões, o texto convida à prudência, uma vez que ainda não está claro qual seria o status ontológico do resultado obtido. Sobre o tema das técnicas “complementares”, simplesmente se reitera a doutrina de Pio XII e da Donum vitae, sem aplicá-la à análise das técnicas em questão: a incorretamente denominada “inseminação artificial” e a GIFT (Transferência de Gametas para as Trompas). A propósito do debate relativo à adoção pré-natal, abriu-se nova discussão sobre a correta interpretação do texto da Instrução.
Após quase vinte anos de debates sobre o tema da adoção, a Santa Sé se manifestou expressamente a respeito. Se o fez da forma como fez, é por que há um motivo.
A instrução é parte integrante do assim chamado “Magistério ordinário”, ao qual devemos (e desejamos) dar aquele religiosum voluntatis et intellectus obsequium que nossa fé exige e que nos é lembrado no Concílio Vaticano II (GS, 25), conforme enfatizou oportunamente Dom Francisco Ladaria, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, na ocasião da apresentação pública da Instrução. Este obsequium, no entanto, não implica em que não se deva esforçar para compreender melhor aquilo que o texto nos ensina, e eventualmente distinguir daquilo que o texto não nos ensina. E que não se deva também aprofundar, aplicar e defender a doutrina por ele oferecida.
* P. Gonzalo Miranda foi secretário operativo do Centro de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma, de 1993 a 2001. Em 2001, fundou a Faculdade de Bioética do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (APRA). De 2001 a 2006, foi decano da Faculdade de Bioética da mesma universidade. Professor titular de bioética e de teologia moral na APRA, é membro do Conselho Diretivo do Centro de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, membro da Federação Internacional dos Centros de Bioética de Inspiração Personalista (FIBIP) e membro da Federação Internacional de Faculdades de Medicina Católicas (AIFMC).

Brasil: Diocese de Jacarezinho tem novo bispo!!!

Monsenhor Antônio Braz Benevente
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 23 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Segundo informou a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nesta quarta-feira, Bento XVI nomeou o monsenhor Antônio Braz Benevente como bispo da diocese de Jacarezinho (Paraná).
Ele sucede Dom Fernando José Penteado, que teve seu pedido de renúncia por razão de idade aceito pelo Papa.
Monsenhor Antônio Braz Benevente, 49 anos, é o atual vigário geral da arquidiocese de Uberaba (Minas Gerais). Nasceu em Itápolis (São Paulo), a 1º de janeiro de 1961. Cursou filosofia no Seminário Maior de São Carlos (São Paulo) e teologia na Pontifícia Universidade de Campinas (PUC-Camp). Foi ordenado padre para a arquidiocese de Uberaba em 7 de dezembro de 1985. Ali, foi pároco nas paróquias de Santo Antônio, de Planura (1985 a 1991); Santa Luzia (1991 a 1996) e São Geraldo (1996 a 1998), em Uberaba; Nossa Senhora do Carmo, em Frutal (1998) e São Benedito, em Uberaba, desde 2000.O novo bispo foi ainda professor de História de Israel no Instituto de Teologia São José; coordenador arquidiocesano de pastoral; administrador da Cúria; capelão do Papa João Paulo II; membro do Colégio de Consultores e dos Conselhos de Presbíteros e de Pastoral da arquidiocese de Uberaba.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dois arcebispos brasileiros recebem pálio dia 29 de junho!!!

BRASÍLIA, terça-feira, 22 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI entregará o pálio a 38 arcebispos metropolitanos no próximo dia 29 de junho, solenidade de Pedro e Paulo. Deles, dois são brasileiros: o arcebispo de Olinda e Recife (Pernambuco), Dom Antônio Fernando Saburido, e o arcebispo de Belém (Pará), Dom Alberto Taveira.
Dom Antônio Fernando Saburido já embarcou ontem, junto a cerca de 100 padres diocesanos. Eles participam primeiramente de um retiro em Jerusalém.
Todo o grupo participará da missa, na Basílica de São Pedro, de entrega do pálio – estola de lã branca com cruzes pretas, símbolo da união com o sucessor de Pedro–, que o Papa entregará aos arcebispos nomeados há menos de um ano no mundo.
"Achei muito bonita essa participação do clero. Será mais um momento para estarmos todos juntos", disse Dom Fernando ao site da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Este será o primeiro retiro do clero com Dom Fernando Saburido como arcebispo.
Enquanto estiverem em viagem, os párocos serão substituídos nas igrejas por religiosos como frades, monges e sacerdotes de outras congregações.

Discurso do Papa aos bispos do Regional Leste II da CNBB!!!

Visita ad limina apostolorum
CIDADE DO VATICANO, domingo, 20 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos o discurso que Bento XVI dirigiu nesse sábado aos bispos do Regional Leste II (Minas Gerais e Espírito Santo) da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), no contexto da visita ad limina apostolorum dos prelados brasileiros.
* * *
Queridos Irmãos no Episcopado,
«chamados a ser santos, junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (1 Cor 1, 2-3). Com estas palavras, acolho a todos vós, amados Pastores do Regional Leste 2 em Visita ad Limina, e vos saúdo com grande afeto na consciência do laço colegial que une o Papa com os Bispos no vínculo da unidade, da caridade e da paz. Agradeço a Dom Walmor as amáveis palavras com que interpretou os vossos sentimentos de homenagem à Sé de Pedro e ilustrou os desafios e problemas que são objeto do vosso empenho a bem da grei que Deus vos confiou nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais.
Vejo que amais profundamente as vossas dioceses e também eu participo intimamente deste vosso amor, acompanhando-vos com a oração e a solicitude apostólica. A nossa é uma bela história com início palpável nas Bulas expedidas pelo Sucessor de Pedro para a ordenação episcopal e naquele «Eis-me aqui» proferido por cada um no início da cerimônia da sua sagração e conseqüente ingresso no Colégio dos Bispos. Dele começastes a fazer parte «em virtude da sagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a Cabeça e com os membros» (Nota Explicativa Prévia, anexa à Const. dogm. Lumen gentium), tornando-vos sucessores dos Apóstolos com a tríplice função de ensinar, santificar e governar o povo de Deus.
Enquanto mestres e doutores da fé, tendes a missão de ensinar com audácia a verdade que se deve crer e viver, apresentando-a de forma autêntica. Como vos disse em Aparecida, «a Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do povo de Deus, e recordar também aos fiéis (…) que, em virtude do seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 13/V/2007, 3). Ajudai, pois, os fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais a descobrirem a alegria da fé, a alegria de serem pessoalmente amados por Deus, que entregou o seu Filho para nossa salvação. Como bem sabeis, crer consiste sobretudo em abandonar-se a este Deus que nos conhece e ama pessoalmente, aceitando a Verdade que Ele revelou em Jesus Cristo com a atitude que nos leva a ter confiança nele como revelador do Pai. Queridos irmãos, tende grande confiança na graça e sabei infundir esta confiança no vosso povo, para que a fé sempre seja guardada, defendida e transmitida na sua pureza e integridade.
Como administradores do supremo sacerdócio, haveis de procurar que a liturgia seja verdadeiramente uma epifania do mistério, isto é, expressão da natureza genuína da Igreja, que ativamente presta culto a Deus por Cristo no Espírito Santo. De todos os deveres do vosso ministério, «o mais imperioso e importante é a responsabilidade pela celebração da Eucaristia», competindo-vos «providenciar para que os fiéis tenham a possibilidade de aceder à mesa do Senhor, sobretudo ao domingo que é o dia em que a Igreja – comunidade e família dos filhos de Deus – descobre a sua peculiar identidade cristã ao redor dos presbíteros» (João Paulo II, Exort. ap. Pastores gregis, 39). O múnus de santificar que recebestes impõe-vos ainda ser promotores e animadores da oração na cidade humana, freqüentemente agitada, rumorosa e esquecida de Deus: deveis criar lugares e ocasiões de oração, onde no silêncio, na escuta de Deus, na oração pessoal e comunitária, o homem possa encontrar e fazer a experiência viva de Jesus Cristo que revela o rosto autêntico do Pai. É preciso que as paróquias e os santuários, os ambientes de educação e sofrimento, as famílias se tornem lugares de comunhão com o Senhor.
Enfim, como guias do povo cristão, deveis promover a participação de todos os fiéis na edificação da Igreja, governando com coração de servo humilde e pastor afetuoso tendo em vista a glória de Deus e a salvação das almas. Em virtude do múnus de governar, o Bispo está chamado também a julgar e disciplinar a vida do povo de Deus confiado aos seus cuidados pastorais, através de leis, diretrizes e sugestões, como previsto na disciplina universal da Igreja. Este direito e dever é muito importante para que a comunidade diocesana permaneça unida no seu interior e caminhe em sincera comunhão de fé, de amor e de disciplina com o Bispo de Roma e com toda a Igreja. Para isso, não vos canseis de alimentar nos fiéis o sentido de pertença à Igreja e a alegria da comunhão fraterna.
Entretanto o governo do Bispo só será pastoralmente proveitoso «se gozar do apoio duma boa credibilidade moral, que deriva da sua santidade de vida. Tal credibilidade predisporá as mentes para acolherem o Evangelho anunciado por ele na sua Igreja e também as normas que ele estabelecer para o bem do povo de Deus» (Ibid., 43). Por isso, plasmado interiormente pelo Espírito Santo, cada um de vós faça-se «tudo para todos» (cf. 1 Cor 9, 22), propondo a verdade da fé, celebrando os sacramentos da nossa santificação e testemunhando a caridade do Senhor. Acolhei de coração aberto quantos batem à vossa porta: aconselhai-os, confortai-os e apoiai-os no caminho de Deus, procurando guiar a todos para aquela unidade na fé e no amor da qual, por vontade do Senhor, deveis ser princípio e fundamento visível nas vossas dioceses (cf. Const. dogm. Lumen gentium, 23).
Queridos Irmãos no Episcopado! Ao concluir este nosso encontro, desejo renovar a cada um de vós os meus sentimentos de gratidão pelo serviço que prestais à Igreja com viva dedicação e amor. Por intercessão da Virgem Maria, «exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens» (Ibid., 65), invoco de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, sobre o vosso ministério a abundância dos dons e consolações celestes e concedo-vos, extensiva aos sacerdotes e diáconos, aos consagrados e consagradas, aos seminaristas e aos fiéis leigos das vossas comunidades diocesanas, uma particular Bênção Apostólica.
[© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]

Bento XVI aos sacerdotes (V): vocação vem de Deus!!!

Diálogo entre o Papa e os sacerdotes do mundo inteiro
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de junho de 2010 (ZENIT.org) - A falta de vocações hoje é um "problema doloroso" que aflige a Igreja, reconheceu o Papa Bento XVI, na última pergunta durante a vigília realizada em São Pedro no dia 10 de junho, durante o encerramento do Ano Sacerdotal.
A questão apresentada por Anthony Denton, da Austrália, em nome dos sacerdotes da Oceania, supõe "um problema grande e doloroso da nossa época", admitiu Bento XVI.
É "a falta de vocações, razão pela qual as igrejas locais estão em perigo de tornar-se áridas, porque falta a Palavra da vida, falta a presença do sacramento da Eucaristia e dos demais sacramentos".
No entanto, advertiu o Papa, diante desse problema existe uma "grande tentação", que consiste em "transformar o sacerdócio - o sacramento de Cristo, o ser escolhidos por Ele - em uma profissão normal, em um emprego que tem suas horas e que, no resto do tempo, a pessoa pertence somente a si mesma; e fazer isso como qualquer outra vocação: torná-lo acessível e fácil".
Mas - sublinhou - esta "é uma tentação, não resolve o problema".
A propósito disso, citou a história bíblica de Saul, que realiza um sacrifício no lugar do profeta Samuel porque este não se apresenta a tempo antes de uma batalha.
Este rei, explicou o Papa, "pensa em resolver assim o problema, que naturalmente não se resolve, porque tenta fazer o que não pode fazer sozinho; considera-se Deus ou quase Deus; e não se pode esperar que as coisas aconteçam do jeito que Deus quer".
"Assim também nós, se exercêssemos somente uma profissão como as demais, renunciando à sacralidade, à novidade, à diversidade do sacramento que só Deus dá, que pode vir somente da sua vocação e não do nosso fazer, não resolveríamos nada."
O único que é preciso fazer, insistiu, é "rezar com grande insistência, com grande determinação, com grande convicção também", clamar "ao coração de Deus, para que nos dê sacerdotes".
Três conselhos
O Papa indicou três "receitas" para promover as vocações. A primeira: cada sacerdote "deveria fazer o possível para viver seu próprio sacerdócio de tal maneira que este se tornasse convincente".
"Acho que nenhum de nós teria chegado a ser sacerdote se não tivesse conhecido sacerdotes convincentes, nos quais ardia o fogo do amor de Cristo", sublinhou.
A segunda: oração; e a terceira: "ter o valor de falar com os jovens sobre o possível chamado de Deus, porque com frequência uma palavra humana é necessária para abrir a escuta da vocação divina".
"O mundo de hoje é tal que quase parece excluído o amadurecimento de uma vocação sacerdotal; os jovens precisam de ambientes nos quais se viva a fé, nos quais apareça a beleza da fé, nos quais apareça que este é um modelo de vida."

Bento XVI aos sacerdotes (IV): não ao clericalismo

Diálogo entre o Papa e presbíteros de todo o mundo
CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) – Viver de modo autêntico a Eucaristia é o melhor antídoto contra uma tentação que acomete a Igreja desde sempre: o clericalismo, o viver alienado da realidade do mundo numa “urna protegida” no seio da Igreja.
Assim respondeu Bento XVI à pergunta colocada pelo sacerdote japonês Atsushi Yamashita, em nome dos presbíteros da Ásia, durante a vigília de encerramento do Ano Sacerdotal realizada em 10 de junho passado em Roma.
“Sabemos que o clericalismo tem sido uma tentação para os sacerdotes ao longo dos séculos, e permanece hoje; por isso é tão importante encontrar a forma verdadeira de viver a Eucaristia, que não é fechar-se para o mundo, mas é precisamente uma abertura para as necessidades do mundo”, afirmou o Papa.
A questão, explicou, é “como viver a centralidade da Eucaristia sem se perder numa vida puramente cultual, alheia ao cotidiano das demais pessoas”.
Para viver adequadamente a Eucaristia, explicou Bento XVI, “devemos ter em mente que na Eucaristia se realiza o grande drama de Deus que sai de si mesmo”.
Neste sentido, a Eucaristia “deve ser considerada como entrar neste caminho de Deus”: o sacrifício consiste precisamente em sair de nós mesmos, em nos deixar atrair para a comunhão do único pão, do único Corpo, e assim ingressar na grande aventura do amor de Deus”.
“Viver a Eucaristia em seu sentido original, em sua verdadeira profundidade, é uma escola de vida, é a proteção mais segura contra toda forma de clericalismo”.
“A Eucaristia é, em si, um ato de amor, e nos obriga a esta realidade do amor pelos demais: que o sacrifício de Cristo é a comunhão de todos em seu Corpo. E, portanto, devemos aprender a Eucaristia, que é precisamente o contrário do clericalismo, do fechar-se em si mesmo”, acrescentou.
O Papa mencionou ou exemplo de Madre Teresa, de “um amor que abandona a si mesmo, que abandona todo tipo de clericalismo e de alienação em relação ao mundo, que vai até os mais marginalizados, os mais pobres, até as pessoas à beira da morte, e que se entrega totalmente ao amor pelos pobres, pelos marginalizados”.
“Sem a presença do amor de Deus que se doa, não seria possível realizar este apostolado, e não seria possível viver neste abandono de nós mesmos; apenas inserindo-se neste abandono de si em Deus, nesta aventura de Deus, nesta humildade de Deus, é que se poderia e se pode levar a cabo este grande ato de amor, esta abertura para todos”, concluiu o pontífice.

Bento XVI aos sacerdotes (III): celibato antecipa o céu!!!

Diálogo entre o Papa e os presbíteros do mundo inteiro
CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) - O sentido profundo do celibato em um sacerdote é que antecipa a vida plena da ressurreição. Assim respondeu o Papa Bento XVI, no último dia 10 de junho, à pergunta que o eslovaco Karol Miklosko lhe dirigiu em nome dos sacerdotes da Europa. Durante a vigília de encerramento do Ano Sacerdotal, realizada na Praça de São Pedro, o Papa explicou aos milhares de sacerdotes presentes que o celibato sacerdotal, hoje tão questionado, supõe uma consequência da união do "eu" do sacerdote com Cristo.
Isso, afirmou, significa que o sacerdote "é ‘atraído' também à sua realidade de ressuscitado, que seguimos adiante rumo à vida plena da ressurreição, da qual Jesus fala aos saduceus no capítulo 22 de São Mateus: é uma vida ‘nova', na qual já estamos muito além do matrimônio".
"É importante que nos deixemos penetrar novamente por esta identificação do ‘eu' de Cristo conosco, desse ser ‘tirados' e conduzidos ao mundo da ressurreição - prosseguiu. Neste sentido, o celibato é uma antecipação" do céu.
O problema da cristandade no mundo de hoje, sublinhou o Papa, "é que já não se pensa no futuro de Deus: parece suficiente somente o presente deste mundo. Queremos ter somente este mundo, viver só neste mundo. Assim, fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência".
"O sentido do celibato como antecipação do futuro é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que é vivido por nós já como presente. Viver, portanto, como um testemunho da fé: cremos realmente que Deus existe, que Deus tem a ver com a minha vida, que posso fundar minha vida sobre Cristo, sobre a vida futura."
Celibato e matrimônio
Bento XVI reconheceu que, "para o mundo agnóstico, o mundo com o qual Deus não tem nada a ver, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade".
"Com a vida escatológica do celibato, o mundo futuro de Deus entra nas realidades do nosso tempo. E isso deveria desaparecer!"
De certa forma, "pode surpreender esta crítica permanente contra o celibato, em uma época em que está cada vez mais de moda não se casar".
No entanto, "este não se casar é algo total e fundamentalmente diferente do celibato, porque o não se casar se baseia na vontade de viver só para si mesmos, de não aceitar nenhum vínculo definitivo, de ter a vida em todo momento em uma autonomia plena, decidir em cada momento o que fazer, o que aproveitar da vida".
Este "celibato moderno" é um "não" ao vínculo, um "não" à definitividade, "um ter a vida só para si mesmo. Por outro lado, o celibato é precisamente o contrário: é um ‘sim' definitivo, é um deixar-se conduzir por Deus, entregar-se nas mãos do Senhor".
O celibato em um sacerdote "é um ato de fidelidade e de confiança, um ato que supõe também a fidelidade do matrimônio; é precisamente o contrário desse ‘não', dessa autonomia que não quer obrigar-se, que não quer entrar em um vínculo; é precisamente o ‘sim' definitivo que supõe e confirma o ‘sim' definitivo do matrimônio".
Por isso, acrescentou, "o celibato confirma o ‘sim' do matrimônio com seu ‘sim' ao mundo futuro, e assim queremos seguir adiante e tornar presente este escândalo de uma fé que coloca toda a sua existência em Deus".
Este "escândalo da fé", concluiu o Papa, não deve ficar escurecido pelos "escândalos secundários" provocados pelas fraquezas dos sacerdotes. "O celibato - são precisamente as críticas que mostram isso - é um grande sinal de fé, da presença de Deus no mundo."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Papa recorda importância de “levar a própria cruz”!!!

Especialmente quando “se faz obscuro ao nosso redor”
CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) – Bento XVI centrou hoje a meditação do Angelus na importância de levar própria cruz, tanto nas pequenas provas de cada dia como nos momentos decisivos.
“Tomar a cruz significa se comprometer em derrotar o pecado que obstaculariza o caminho para Deus, acolher quotidianamente a vontade do Senhor, fortalecer a fé sobretudo ante os problemas, as dificuldades, o sofrimento”, afirmou o Papa.
Bento XVI citou a santa carmelita Edith Stein, admirando seu testemunho “em um tempo de perseguição”, quando afirmava, pouco antes da Segunda Guerra Mundial: “mais se faz obscuro ao nosso redor, tanto mais devemos abrir o coração à luz que vem do alto”.
“Também na época atual, muitos são os cristãos no mundo que, animados pelo amor de Deus, assumem cada dia a cruz, seja a das provas cotidianas, seja a da barbárie humana, que às vezes requer o valor do sacrifício extremo”, afirmou.
Por isso, é importante “pôr sempre nossa sólida esperança n’Ele, seguros de que, ao segui-lo levando nossa cruz, chegaremos com Ele à luz da Ressurreição”.
O Papa quis recordar especialmente os 14 diáconos a quem havia ordenado na missa da manhã na Basílica de São Pedro.
O sacramento da Ordem “manifesta, da parte de Deus, sua atenta proximidade aos homens e, da parte de quem o recebe, a plena disponibilidade a se converter em instrumento desta proximidade, com um amor radical a Cristo e à Igreja”.
Recordando o evangelho dominical, sobre a profissão de fé de Pedro, o Papa afirmou que Jesus, “frente a esta profissão de fé, renova a Pedro e aos demais discípulos o convite a segui-lo no caminho comprometido no amor até a Cruz”.
“Também a nós, que podemos conhecer o Senhor mediante a fé em sua Palavra e nos Sacramentos, Jesus nos dirige a proposta de segui-lo cada dia, e também a nós, recorda que para ser seus discípulos, é necessário nos apropriarmos do poder de sua Cruz, cume de nossos bens e coroa de nossa esperança”, concluiu.

domingo, 20 de junho de 2010

TV por satélite difunde o cristianismo no Oriente Médio!!!

SAT-7, com 8 milhões de telespectadores em 19 países
CAIRO, (ZENIT.org) – SAT-7, um canal de televisão cristão via satélite que cobre o Oriente Médio e o norte da África, aumentará suas transmissões graças ao apoio da associação caritativa católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
O escritório britânico da organização financiou uma segunda etapa de projetos para proporcionar os equipamentos necessários para o estúdio de SAT-7 no Cairo (Egito), permitindo produzir mais programas.
O apoio de AIS ajudará a melhorar a qualidade das transmissões da rede – que compreende noticiários, debates, música e ficção –, para aumentar a ligação entre os cristãos e favorecer uma colaboração mais estreita com pessoas de outras religiões.
Rachel Fadipe, diretora executiva da SAT-7 no Reino Unido, explicou a importância de aumentar as transmissões ao-vivo, afirmando que “permitem a verdadeira interação com os telespectadores”.
“Desde o início, falávamos em unir as Igrejas em sua diversidade, mostrar que podem ter unidade”, declarou Kurt Johansen, diretor executivo do escritório europeu de SAT-7.
Johansen recordou que, “no Oriente Médio, a TV por satélite é o melhor meio de comunicação”; “mais da metade dos habitantes do Oriente Médio obtém imagens por satélite e cada dia mais assistem à televisão, mais que qualquer outra parte do mundo”.
As transmissões por satélite, além disso, não estão sujeitas às restrições aplicadas à literatura cristã em alguns países do Oriente Médio, como na Arábia Saudita.
Além do crescente número de programas ao-vivo, as transmissões da SAT-7 incluem soap opera relativos a temas cristãos e filmes baseados em personagens bíblicos, além de concursos sobre as Escrituras e um comentário semanal do líder copta-ortodoxo Shenouda III.
SAT-7 transmite cinco canais 24 horas, que chegam a quase 8 milhões de telespectadores em 19 países.

Bento XVI aos sacerdotes (II): a verdadeira teologia

Diálogo entre o Papa e os presbíteros de todo o mundo
CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) – A teologia atual, muitas vezes, aparece como mera especulação intelectual, separada da doutrina e da vida espiritual. Para um sacerdote, para quem o trabalho deixa tempo livre apenas para sua formação, como guiar-se no labirinto de ideias e opiniões que por vezes parecem contradizer o magistério?
Esta foi a segunda pergunta dirigida ao Papa Bento XVI durante a vigília de 10 de junho, na cerimônia de encerramento do Ano Sacerdotal, colocada por uma sacerdote proveniente da Costa do Marfim (África), Mathias Agnero.
O Papa concordou que se trata de um problema “difícil e doloroso”, porém “não novo”: o próprio São Boaventura sustentava haver “dois tipos de teologia”, uma que procede “da arrogância da razão” e outra que busca “aprofundar o conhecimento do amado”.
“Existe de fato uma teologia que pretende ser acadêmica, parecer científica, e se esquece da realidade vital, a presença de Deus, sua presença entre nós, seu discurso de hoje, não apenas do passado”, explicou o Papa aos presentes.
“Esta teologia provém da arrogância da razão, que a tudo deseja dominar, fazendo com que Deus passe de sujeito a objeto de estudo, enquanto deveria ser sujeito que nos fala e nos guia”, de modo que “não nutre a fé, e sim obscurece a presença de Deus no mundo”.
“Modas”
Nos dias de hoje, comentou Bento XVI, “impõe-se a assim chamada ‘visão moderna do mundo’ (Bultmann), que se converte no critério de decisão do que é possível e do que é impossível”, afirmando que “tudo se passa como sempre, que os acontecimentos históricos são do mesmo tipo”, de modo que “se exclui precisamente o caráter de novidade do Evangelho, se exclui a irrupção de Deus, a verdadeira novidade que é alegria de nossa fé”.
No entanto, o Papa quis “desmistificar” estas teologias “da moda”, segundo sua própria experiência.
“Iniciei meus estudos de teologia em janeiro de 1946, e tendo testemunhado assim a passagem de três gerações de teólogos, posso dizer: as hipóteses que naquele tempo, e mais tarde nos anos 60 e 80 eram as mais novas, absolutamente científicas, absolutamente dogmáticas, com o tempo envelheceram e já não valem! Muitas delas parecem hoje ridículas”, afirmou.
Por isso, convidou os teólogos a “não temer o fantasma da cientificidade”, mantendo a coragem de “não se submeter a todas as hipóteses do momento, pensando a partir da grande fé da Igreja, que se faz presente em todos os tempos e que nos abre o acesso para a verdade”.
Em especial, destacou a importância de “não se pensar que a razão positivista, que exclui o transcendente – que não pode ser acessível – seja a razão verdadeira. Esta razão débil, que apresenta apenas as coisas experimentáveis, é na verdade uma razão insuficiente”.
“Nós, teólogos, devemos fazer uso da grande razão, aquela que está aberta à grandeza de Deus. Devemos ter a coragem de ir além do positivismo, até a questão das raízes do ser”, acrescentou.
Teologia por amor
Existe também “uma teologia que quer conhecer mais por amor ao amado, que, estimulada pelo amor e guiada pelo amor, que conhecer mais do amado. Esta é a verdadeira teologia, que provém do amor de Deus, de Cristo, e que deseja entrar em comunhão mais profunda com Cristo”, explicou o Papa.
“A formação é muito importante. Porém, devemos também ser críticos: o critério de fé é o critério pelo qual devemos também avaliar os teólogos e as teologias”, enfatizou.
O pontífice recomendou, tanto aos sacerdotes como aos seminaristas, consultar, sempre que necessário, o Catecismo da Igreja Católica: “ali vemos a síntese de nossa fé, e este Catecismo constitui o verdadeiro critério para avaliar se uma teologia é aceitável ou não”.
Neste sentido, pediu aos presente que sejam “críticos no sentido positivo”, isto é, “críticos contra as ‘tendências da moda’ e abertos às verdadeiras novidades, à profundidade inesgotável de Palavra de Deus, que se revela nova em todos os tempos, também em nosso tempo”.
Finalmente, o Papa convidou todos os sacerdotes a “manter a confiança no Magistério permanente da comunhão dos bispos com o Papa”.
Neste sentido, lembrou que a Sagrada Escritura “não é um livro isolado: está vivo na comunidade da Igreja, que é o próprio sujeito em todos os séculos e que garante a presença da Palavra de Deus".
“O Senhor nos deu a Igreja como sujeito vivo, com a estrutura dos bispos em comunhão com o Papa, e esta grande realidade dos bispos do mundo em comunhão com o Papa nos garante o testemunho da verdade permanente”.
“Há abusos, como sabemos, porém, em todas as partes do mundo há muitos teólogos que vivem verdadeiramente a Palavra de Deus, nutrem-se da meditação, vivem a fé da Igreja e desejam contribuir para que esta fé se faça presente nos dias de hoje. A estes teólogos gostaria de dizer um grande ‘obrigado’, concluiu o pontífice.

Evangelho do domingo: junho, época de provas!!!

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo (Espanha), administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 9,18-24), 12º do Tempo Comum.
* * *
Estamos quase terminando junho, mês de provas em muitos centros escolares. O Evangelho deste domingo é precisamente um grande exame, no qual Jesus põe seus discípulos à prova. O Senhor, após as últimas correrias apostólicas com os seus, retira-se, como tantas outras vezes, a um lugar afastado para orar com eles. Verdadeiro exemplo para todo discípulo, seja qual for nossa vocação cristã: ação e contemplação, falar aos homens sobre Deus e a Deus sobre os homens. Jesus se encontra com seus amigos e então lhes faz uma espécie de pesquisa de mercado: “Quem diz o povo que eu sou?”.
Podemos imaginar o assombro ou talvez a paixão em responder entre aqueles homens que conviviam com o Mestre. Então apareceu o leque acostumado: um profeta, um personagem estranho, uma espécie de OVNI religioso, João Batista, Elias... Sei, sei... “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Esta é a grande pergunta à qual, em algum momento da vida, um verdadeiro cristão deve saber responder ou deve começar a saber responder. Porque o risco consiste em ter ideias sobre Cristo, em conhecer d’Ele o que dizem os manuais de história das religiões, o que dizem as pesquisas, a mídia ou qualquer poder dominante. E então, nós nos tornamos repetidores de uma ideia sobre Jesus completamente de fora, totalmente alheia a esses centros da nossa vida: o amor amável, a dor inesperada, a lembrança imensa, o caminho cotidiano, a morte irmã, a espera certa. Porque dizer com a minha vida e a partir da minha vida quem é Jesus para mim supõe dizê-lo a partir de todas essas realidades, com todas essas situações que são as que constroem a minha existência.
A melhor resposta à pergunta de Jesus é a que se diz e se narra seguindo-O cada dia, perdendo a vida por Ele e pelos irmãos, que é a melhor maneira de ganhar a vida... Mais ainda: é a única maneira: quem quiser ganhar sua própria vida (isto é, quem se apropriar das suas poucas coisas e dos seus poucos dias) a perderá, enquanto quem perder sua vida por Ele (isto é, quem se entregar a Jesus com todo o coração e com todas as forças) a salvará. Quem sabe disso é quem alguma vez já o fez, acreditando totalmente na Palavra do Senhor.
+Dom Jesús Sanz Montes (ofm).

sábado, 19 de junho de 2010

Sufrágio por 2 diplomatas que lutaram contra nazismo

ROMA, (ZENIT.org) - Diversos cardeais da cúria romana concelebraram ontem uma Missa de sufrágio por dois diplomatas inspirados pelos cristianismo que lutaram contra o nazismo: Luis Martins de Sousa Dantas e Aristides de Sousa Mendes.
O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, presidiu a Eucaristia, celebrada na igreja de Santa Maria in Traspontina, informa hoje o L'Osservatore Romano.
Concelebraram, entre outros, o prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, e o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal William Joseph Levada.
O presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz e do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, cardeal Renato Raffaele Martino, pronunciou a homilia.
O brasileiro Luis Martins de Sousa Dantas e o português Aristides de Sousa Mendes salvaram a vida de milhares de judeus nos anos difíceis da 2ª Guerra Mundial.
"Tanto Dantas como Mendes pertencem a esse grupo de pessoas de reta consciência - diplomatas ou não - que, em toda a Europa, arriscaram sua vida para salvar a de tantas pessoas ameaçadas pelo horror do nazifascismo", indica o jornal vaticano.
Entre essas pessoas, L'Osservatore Romano também destaca o sueco Wallemberg, o suíço Lutz, o italiano Perlasca (seguindo ordens do embaixador espanhol Sanz Briz) e o alemão Schindler.
Profunda fé cristã
Em sua homilia, o cardeal Martino recordou que a ação de Dantas e de Mendes esteve motivada por uma profunda fé cristã.
Esta ação adquiriu ainda maior relevância porque se realizava em consciente de reta desobediência às disposições dos seus respectivos governos, que - como os da maior parte do mundo - estavam naqueles anos bem dispostos a lutar contra os judeus.
Mendes desafiou a ordem explícita do governo português de Salazar de evitar "em qualquer circunstância conceder vistos aos judeus e a outros indesejáveis".
Mendes organizou um sistema de vistos que ocultava a identidade judaica e conseguiu salvar mais de 30 mil pessoas que, de outra maneira, teriam sido destinadas aos campos de concentração e à morte certa.
Mais tarde, Mendes viu seus 14 filhos obrigados a emigrar e dispersar-se por diferentes lugares do mundo. Morreu em absoluta miséria, em um refúgio para pobres gestionado pelos franciscanos em Lisboa, no dia 3 de abril de 1954.
Como ele desejava, seu corpo foi revestido para a sepultura com o hábito franciscano.
O embaixador Dantas, por sua vez, também escutou a voz da sua consciência e eludiu as disposições do seu governo para favorecer a fuga de milhares de pessoas ameaçadas de morte.
Sua insubordinação lhe custou a carreira. Em sua defesa, limitou-se a dizer que agiu "movido pelos mais elementares sentimentos de piedade cristã".
Sobretudo em nome de Mendes e Dantas, criou-se um comitê promotor de um Dia da Consciência, para recordar e agradecer a Deus por todos os que tiveram a valentia de ouvir sua consciência naqueles anos difíceis.

Palavra do Bispo: “Reaviva o Dom que Deus te concedeu” (2Tim 1,6)!!!


“Por isso, quero exortarte a reavivar o carisma que Deus te concedeu pela imposição de minhas mãos”
No dia 11 deste mês de junho, haverá o encerramento do Ano Sacerdotal, um ano dedicado à oração pelos sacerdotes, um ano que viu todos empenhados para pedir ao dono da messe mais operários. A vocação do sacerdote foi apresentada em toda a sua beleza e riqueza a partir do santo que o Papa Bento XVI propôs como modelo de sacerdote: João Maria Vianney, o Cura d´Ars. O objetivo do Sumo Pontífice era o de “fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo”.
Lembrando desse ano, penso na exortação que Paulo fez a Timóteo, quando lhe escreveu estas palavras muito significativas: “Por isso, quero exortarte a reavivar o carisma que Deus te concedeu pela imposição de minhas mãos”. O verbo “reavivar” recorda a imagem do fogo que está por baixo da brasa e que pode ser reavivado. O fogo é o dom que o Espírito infundiu na vida de cada sacerdote no momento da ordenação.
Este ano, portanto, nos ajudou a viver mais em profundidade a nossa consagração a Deus e ao povo. Ajudou-nos a reavivar, na intimidade com o Senhor, a graça que nos foi dada através do chamado e aquelas motivações que sustentam toda a vivência no dia a dia do nosso ministério.
Para viver com gratuidade o “DOM” recebido, acredito que será importante para nós, sacerdotes, lembrar que fomos criados por Deus, que nós viemos de Deus e voltaremos a Ele; não sozinhos, mas com todos aqueles que foram confiados aos nossos cuidados pastorais.
É bom não esquecermos que o ponto final, a meta final que devemos alcançar é a vida eterna. Foi-nos conferido um dom especial para que, fortalecidos pela graça de Deus, ajudemos os nossos irmãos e irmãs a crescer no caminho da santidade. Esta é uma grande responsabilidade! É o que São Paulo não cansava de dizer aos cristãos das suas comunidades: “não vos conformeis com este mundo” (Rm 12,2); “cuidai das coisas do alto, não do que é da terra” (Cl 3,2).
Ao longo deste ano foram apontados também os erros de alguns dos nossos irmãos e, apesar destes fatos tão desagradáveis, não podemos deixar de reconhecer com o Cura d´Ars que um sacerdote, segundo o Coração de Deus, continua sendo o maior tesouro que Deus poderia conceder a uma paróquia.
Finalizo desejando a todos os nossos sacerdotes que procurem acolher e adotar o apelo que o Papa nos deixou na mensagem do dia de oração pelas vocações: “O testemunho suscita vocações”.

+Dom josé Negri (PIME)Bispo Diocesano de Blumenau SC.

Este video é para todas as pessoas que algum dia se lembrou daquela pessoa tão singela, doce, meiga, querida e sempre querendo trazer a Igreja perto do povo de Deus, esta pessoa é o Venerável João Paulo II, que foi este papa que deu sua vida pela Igreja Católica Apostólica Romana. No ano passado o Papa Bento XVI nomeou o papa joão paulo II como venerável, e á nós cabe somente rezarmos para que ele seja logo Santo para interceder por nós junto á Deus!!!

VENERÁVEL JOÃO PAULO II, ROGAI POR NÓS!!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Joseph Ratzinger escreveu sobre valores do futebol

CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) – Joseph Ratzinger, quando ainda não era Papa, escreveu sobre o futebol, interessado pelo enorme impacto de eventos como a Copa do Mundo.
“Com sua periodicidade de quatro anos, a Copa do Mundo de Futebol demonstra ser um acontecimento que cativa centenas de milhões de pessoas”, reconhecia em um texto escrito nos anos oitenta, que se pode ler (em espanhol), no portal da revista Humanitas (www.humanitas.cl) da Pontifícia Universidade Católica de Chile.
“Não há quase nenhum outro acontecimento na terra que alcance uma repercussão de vastidão semelhante – acrescenta. O que demonstra que com isso está-se tocando algo radicalmente humano, e cabe perguntar-se onde se encontra o fundamento deste poder em jogo.”
O escrito foi recolhido em 1985 por um livro intitulado Suchen, was droben ist (Buscar o de cima). O então cardeal destaca nessas linhas que “como jogo de equipe, o futebol obriga a um ordenamento do próprio indivíduo dentro do conjunto; une através do objetivo comum: o êxito e o fracasso de cada um estão cifrados no êxito e no fracasso do conjunto”.
Ao que acrescenta: “o futebol ensina um enfrentamento limpo, em que a regra comum à qual o jogo se submete continua sendo o que une e vincula, ainda que na posição de adversários”.
O autor conclui que “a liberdade vive da regra, da disciplina que aprende o atuar conjunto e o correto enfrentamento, o ser independente do êxito exterior e da arbitrariedade, e desse modo chega a ser verdadeiramente livre”.

Papa recebe mais bispos brasileiros

Prelados de Minas Gerais e Espírito Santo em visita ad limina
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 17 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Nesta quinta-feira, Bento XVI recebeu mais um grupo de bispos do Regional Leste 2 (Estados de Minas Gerais e Espírito Santo) da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Os prelados encerram a visita ad limina apostolorum neste sábado, quando o Papa se dirige em discurso a eles.
O pontífice recebeu hoje o arcebispo de Pouso Alegre, Dom Ricardo Pedro Chaves Finto Filho; o bispo de Campanha, Dom Diamantino Prata de Carvalho; o bispo de Guaxupé, Dom José Lanza Neto; o arcebispo de Uberaba, Dom Aloísio Roque Oppermann; o bispo de Patos de Minas, Dom Claudio Nori Sturm; o bispo de Leopoldina, Dom Dario Campos; e o arcebispo de Montes Claros, Dom José Alberto Moura.
O arcebispo de Uberaba, Dom Aloísio Roque Oppermann, destacou a Radio Vaticano que o encontro com o Papa foi “muito interessante”.
“Todos pudemos perceber a lucidez e a rapidez de pensamento, a tal ponto que se percebe que ninguém pode falar uma coisa inadequada, porque ele rebate”, afirmou.
Segundo Dom Aloísio Oppermann, o Papa “é uma pessoa muito atenta, muito curiosa e interessada no bem da Igreja”.
“Foram momentos de crescimento para todos nós, foi de um proveito enorme para a vida pastoral de nossas Igrejas particulares”, disse o prelado.

Papa recorda um santo muito querido por João Paulo II!!!

Santo Alberto Chmielowski, pintor e frade polonês
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 16 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Na audiência dessa quarta-feira, Bento XVI dirigiu um pensamento especial a Santo Alberto Chmielowski – de quem hoje se venera sua memória –, um pintor de grande talento que decidiu abandonar a carreira artística para se pobre entre os mais pobres.
“Recordando sua dedicação aos pobres, aos sem teto, aos enfermos incuráveis – disse o Papa dirigindo-se aos peregrinos poloneses ao término da audiência geral – abramos como ele nossos corações às necessidades de nossos irmãos mais necessitados. Aprendamos dele ‘a ser bons como o pão’. Imitemos-lhe em tender à santidade.”
Chmielowski nasceu em Igolomia, próximo de Cracovia, em 1845 e morreu em 1916. Em janeiro de 1863, participou da insurreição contra os moscovitas, durante a qual foi ferido e perdeu um pé. Em seguida, estudou pintura em Paris, Munique, Varsóvia. Tornou-se um famoso pintor e crítico de arte.
Enquanto se encontrava no ápice de sua carreira artística, abandonou de repente tudo (inclusive queimou alguns se seus quadros) e começou a viver junto dos mendigos e marginalizados da cidade de Cracóvia. Para ajudar os pobres, fundou a Companhia dos Frades Albertinos, que tomou o nome dele, convertido já para todos em frei Alberto.
Ao redor dos 26 anos, Karol Wojtyla dedicou-lhe uma obra dramática com o título Irmão de nosso Deus.
Em seu livro autobiográfico intitulado Dom e Mistério (1996), o Papa Wojtyla escreveu: “encontrei nele um particular apoio espiritual e um exemplo em meu afastamento da literatura e do teatro, pela decisão radical da vocação ao sacerdócio”.
João Paulo II o beatificou a 22 de junho de 1983, em Blonie, Cracóvia, na presença de 1 milhão de pessoas, e o canonizou em São Pedro, a 12 de novembro de 1989.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Homilia do Papa no encerramento do Ano Sacerdotal!!!

Praça de São Pedro, 11 de junho de 2010
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 14 de junho de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a homilia do Papa Bento XVI na Santa Missa de encerramento do Ano Sacerdotal, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, Praça de São Pedro, dia 11 de junho de 2010.
* * *
Prezados irmãos no ministério sacerdotal,
Amados irmãos e irmãs,

O Ano Sacerdotal que celebrámos 150 anos depois da morte do Santo Cura d’Ars, modelo do ministério sacerdotal no nosso mundo, está para terminar. Deixámo-nos guiar pelo Cura d’Ars, para voltarmos a compreender a grandeza e a beleza do ministério sacerdotal. O sacerdote não é simplesmente o detentor de um ofício, como aqueles de que toda a sociedade tem necessidade para nela se realizarem certas funções. É que o sacerdote faz algo que nenhum ser humano, por si mesmo, pode fazer: pronuncia em nome de Cristo a palavra da absolvição dos nossos pecados e assim, a partir de Deus, muda a situação da nossa vida. Pronuncia sobre as ofertas do pão e do vinho as palavras de agradecimento de Cristo que são palavras de transubstanciação – palavras que O tornam presente a Ele mesmo, o Ressuscitado, o seu Corpo e o seu Sangue, e assim transformam os elementos do mundo: palavras que abrem de par em par o mundo a Deus e o unem a Ele. Por conseguinte, o sacerdócio não é simplesmente «ofício», mas sacramento: Deus serve-Se de um pobre homem a fim de, através dele, estar presente para os homens e agir em seu favor. Esta audácia de Deus – que a Si mesmo Se confia a seres humanos; que, apesar de conhecer as nossas fraquezas, considera os homens capazes de agir e estar presentes em seu nome – esta audácia de Deus é o que de verdadeiramente grande se esconde na palavra «sacerdócio». Que Deus nos considere capazes disto; que deste modo Ele chame homens para o seu serviço e Se prenda assim, a partir de dentro, a eles: isto é o que, neste ano, queríamos voltar a considerar e compreender. Queríamos despertar a alegria por termos Deus assim tão perto, e a gratidão pelo facto de Ele Se confiar à nossa fraqueza, de Ele nos conduzir e sustentar dia após dia. E queríamos assim voltar a mostrar aos jovens que esta vocação, esta comunhão de serviço a Deus e com Deus, existe; antes, Deus está à espera do nosso «sim». Juntos com a Igreja, queríamos novamente assinalar que esta vocação devemos pedi-la a Deus. Pedimos operários para a messe de Deus, mas este pedido a Deus é simultaneamente Deus que bate à porta do coração de jovens que se considerem capazes daquilo de que Deus os considera capazes. Era de esperar que este novo resplendor do sacerdócio não fosse visto com agrado pelo «inimigo»; este teria preferido vê-lo desaparecer, para que em definitivo Deus fosse posto fora do mundo. E assim aconteceu que, precisamente neste ano de alegria pelo sacramento do sacerdócio, vieram à luz os pecados dos sacerdotes – sobretudo o abuso contra crianças, no qual o sacerdócio enquanto serviço da solicitude de Deus em benefício do homem se transforma no contrário. Também nós pedimos insistentemente perdão a Deus e às pessoas envolvidas, enquanto pretendemos e prometemos fazer tudo o possível para que um tal abuso nunca mais possa suceder; prometemos que, na admissão ao ministério sacerdotal e na formação ao longo do caminho de preparação para o mesmo, faremos tudo o que pudermos para avaliar a autenticidade da vocação, e que queremos acompanhar ainda mais os sacerdotes no seu caminho, para que o Senhor os proteja e guarde em situações penosas e nos perigos da vida. Se o Ano Sacerdotal devesse ser uma glorificação do nosso serviço humano pessoal, teria ficado arruinado com estas vicissitudes. Mas, para nós, tratava-se precisamente do contrário: sentir-se agradecidos pelo dom de Deus, dom que se esconde em «vasos de argila» e que sem cessar, através de toda a fraqueza humana, concretiza neste mundo o seu amor. Assim consideramos tudo o que sucedeu como um serviço de purificação, um serviço que nos lança para o futuro e faz agradecer e amar muito mais o grande dom de Deus. Deste modo, o dom torna-se o compromisso de responder à coragem e à humildade de Deus com a nossa coragem e a nossa humildade. Nesta hora, a palavra de Cristo, que proclamámos no cântico de entrada desta liturgia, pode dizer-nos o que significa tornar-se e ser sacerdotes: «Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de Mim, que Eu sou manso e humilde de Coração» (Mt 11, 29).
Celebramos a festa do Sagrado Coração de Jesus e, com a liturgia, por assim dizer lançamos um olhar dentro do Coração de Jesus que, na morte, foi aberto pela lança do soldado romano. Sim, o seu Coração está aberto por nós e aos nossos olhos; e deste modo está aberto o Coração do próprio Deus. A liturgia dá-nos a interpretação da linguagem do Coração de Jesus, que fala sobretudo de Deus como pastor dos homens e, deste modo, manifesta-nos o sacerdócio de Jesus, que está radicado no íntimo do seu Coração; indica-nos assim o perene fundamento e também o critério válido de todo o ministério sacerdotal, que deve estar sempre ancorado no Coração de Jesus e ser vivido a partir dele. Hoje queria meditar principalmente sobre os textos com que a Igreja em oração responde à Palavra de Deus apresentada nas leituras. Nestes cânticos, compenetram-se palavra e resposta; por um lado, são tirados da Palavra de Deus, mas, por outro e simultaneamente, são já a resposta do homem à referida Palavra, resposta na qual a própria Palavra se comunica e entra na nossa vida. O mais importante destes textos na liturgia de hoje é o Salmo 22 (23) – «O Senhor é meu pastor» –; nele Israel acolheu em oração a auto-revelação de Deus como pastor e dela fez a orientação para a sua própria vida. «O Senhor é meu pastor, nada me falta»: neste primeiro versículo, exprimem-se alegria e gratidão pelo facto de Deus estar presente e Se ocupar de nós. A leitura tirada do Livro de Ezequielcomeça com o mesmo tema: «Eu próprio tomarei cuidado das minhas ovelhas, Eu é que hei-de olhar por elas» (Ez 34, 11). Deus, pessoalmente, cuida de mim, de nós, da humanidade. Não fui deixado sozinho, perdido no universo e numa sociedade onde se fica cada vez mais desorientado. Ele cuida de mim. Não é um Deus distante, para Quem contaria muito pouco a minha vida. As religiões da Terra, por aquilo que nos é dado ver, sempre souberam que, em última análise, só há um Deus; mas este Deus era distante. Aparentemente, Ele deixava o mundo abandonado às outras potestades e forças, às outras divindades. Com estas, era preciso encontrar um acordo. O Deus único era bom, mas distante. Não constituía um perigo, mas tampouco oferecia uma ajuda. Assim, não era necessário ocupar-se d’Ele. Não era Ele que dominava. Por estranho que pareça, este pensamento ressurgiu no Iluminismo. Que o mundo pressupõe um Criador, ainda se compreendia. Este Deus teria construído o mundo, mas depois, evidentemente, retirou-se dele. Agora o mundo tinha um conjunto próprio de leis, segundo as quais se desenvolvia e nas quais Deus não intervinha, nem podia intervir. Deus era apenas uma origem remota. Muitos talvez não desejassem sequer que Deus cuidasse deles. Não queriam ser incomodados por Deus. Mas, sempre que a solicitude e o amor de Deus são sentidos como incómodo, o ser humano acaba subvertido. É bom e consolador saber que há uma pessoa que me ama e cuida de mim; mas muito mais decisivo é que exista um Deus que me conhece, me ama e Se preocupa comigo. «Conheço as minhas ovelhas, e elas conhecem-Me» (Jo 10, 14): diz a Igreja, antes do Evangelho, tomando uma palavra do Senhor. Deus conhece-me, preocupa-Se comigo: este pensamento deveria fazer-nos verdadeiramente felizes; deixemo-lo penetrar profundamente no nosso íntimo. Então compreenderemos também o que significa isto: Deus quer que nós, como sacerdotes, num pequenino ponto da história, compartilhemos as suas preocupações pelos homens. Como sacerdotes, queremos ser pessoas que, em comunhão com a sua solicitude pelos homens, cuidamos deles e lhes fazemos experimentar concretamente esta solicitude de Deus. E o sacerdote, no âmbito que lhe está confiado, deveria poder dizer juntamente com o Senhor: «Conheço as minhas ovelhas, e elas conhecem-me». O sentido deste «conhecer», na Sagrada Escritura, nunca é simplesmente o de um saber exterior, como quando se conhece o número do telefone de uma pessoa; mas «conhecer» significa estar interiormente próximo do outro, amá-lo. Nós havemos de procurar «conhecer» os homens por parte de Deus e em ordem a Deus; havemos de procurar caminhar com eles pela estrada da amizade de Deus.
Voltemos ao nosso Salmo. Lá se diz: «Ele me guia pelo caminho mais seguro para glória do seu nome. Passarei ravinas tenebrosas e não temo; Vós estais comigo, o vosso cajado me sossega» (22, 3-4). O pastor indica a estrada certa àqueles que lhe estão confiados. Vai à sua frente e guia-os. Por outras palavras: o Senhor mostra-nos como se realiza de modo justo o ser homens. Ensina-nos a arte de ser pessoa. Que devo fazer para não me afundar, para não desperdiçar a minha vida com o que não tem sentido? Esta é precisamente a pergunta que cada homem se deve colocar a si mesmo, válida em cada período da vida. E como é grande a escuridão à volta de tal pergunta, no nosso tempo! Vem-nos sempre de novo à mente aquela atitude de Jesus, que Se enchera de compaixão pelos homens, porque eram como ovelhas sem pastor. Senhor, tende piedade também de nós! Indicai-nos a estrada! A partir do Evangelho, sabemos isto: Ele mesmo é o caminho. Viver com Cristo, segui-Lo: isto significa encontrar o caminho certo, para que a nossa vida ganhe sentido e possamos dizer um dia: «Sim, foi bom viver». O povo de Israel sentia-se, e sente-se, agradecido a Deus, porque lhe indicou, nos Mandamentos, o caminho da vida. O longo Salmo 118 (119) é todo ele uma expressão de alegria por este facto: não titubeamos na escuridão. Deus mostrou-nos qual é o caminho, como podemos caminhar de modo certo. O que dizem os Mandamentos foi sintetizado na vida de Jesus e tornou-se um modelo vivo. Compreendemos assim que estas directrizes de Deus não são algemas, mas o caminho que Ele nos indica. Podemos alegrar-nos por elas, e exultar porque em Cristo nos aparecem como realidade vivida. Ele mesmo nos tornou felizes. Caminhando juntamente com Cristo, fazemos a experiência da alegria da Revelação, e, como sacerdotes, devemos comunicar às pessoas a alegria pelo facto de nos ter sido indicado o caminho certo da vida.
Aparece depois a palavra que nos fala de «ravinas tenebrosas», através das quais o homem é guiado pelo Senhor. O caminho de cada um de nós conduzir-nos-á um dia às ravinas tenebrosas da morte, onde ninguém pode acompanhar-nos. Mas Ele estará lá. O próprio Cristo desceu à noite escura da morte. Mesmo lá, Ele não nos abandona. Mesmo lá, Ele nos guia. «Se descer aos abismos, ali Vos encontrais»: diz o Salmo 138 (139). Sim, Vós estais presente mesmo no último transe; e assim o nosso Salmo Responsorial pode dizer: mesmo lá, nas ravinas tenebrosas, não temo mal algum. Mas, ao falar de ravinas tenebrosas, podemos pensar também nas ravinas tenebrosas da tentação, do desânimo, da provação, que cada pessoa humana tem de atravessar. Mesmo nestas ravinas tenebrosas da vida, Ele está presente. Sim, Senhor, nas trevas da tentação, nas horas de ofuscamento quando todas as luzes parecem apagar-se, mostrai-me que estais presente. Ajudai-nos, a nós sacerdotes, para podermos nessas noites escuras estar ao lado das pessoas que nos foram confiadas, para podermos mostrar-lhes a vossa luz.
«O vosso cajado me sossega»: o pastor precisa de usar o cajado como um bastão contra os animais selvagens que querem irromper no meio do rebanho; contra os salteadores que procuram o seu botim. A par de bastão, o cajado serve também de apoio e ajuda para atravessar sítios difíceis. As duas coisas fazem parte também do ministério da Igreja, do ministério do sacerdote. Também a Igreja deve usar o bastão do pastor, o bastão com que protege a fé contra os falsificadores, contra as orientações que, na realidade, são desorientações. Por isso mesmo este uso do bastão pode ser um serviço de amor. Hoje vemos que não se trata de amor, quando se toleram comportamentos indignos da vida sacerdotal. E também não se trata de amor, se se deixa proliferar a heresia, a deturpação e o descalabro da fé, como se tivéssemos nós autonomamente inventado a fé; como se já não fosse dom de Deus, a pedra preciosa que não deixaremos arrebatar. Ao mesmo tempo, porém, o bastão deve continuar a ser o cajado do pastor, cajado que ajude os homens a poderem caminhar por sendas difíceis e a seguirem o Senhor.
A parte final do Salmo fala da mesa preparada, do óleo com que se unge a cabeça, do cálice transbordante, de poder habitar junto do Senhor. No Salmo, tudo isto exprime, antes de mais nada, a dimensão da alegria pela festa de estar com Deus no templo, ser hospedados e servidos por Ele mesmo, poder habitar junto d’Ele. Para nós, que rezamos este Salmo com Cristo e com o seu Corpo que é a Igreja, esta dimensão de esperança adquiriu uma amplidão e profundidade ainda maiores. Por assim dizer, vemos nestas palavras uma antecipação profética do mistério da Eucaristia, no qual Deus mesmo nos acolhe como seus comensais oferecendo-Se-nos a Si mesmo como alimento, como aquele pão e aquele vinho refinados que são os únicos capazes de constituir a derradeira resposta à fome e sede íntima do homem. Como não sentir-se feliz por poder cada dia ser hóspede à própria mesa de Deus, por habitar junto d’Ele? Como não sentir-se feliz pelo facto de Ele nos ter mandado: «Fazei isto em memória de Mim»? Felizes porque Ele nos concedeu preparar a mesa de Deus para os homens, dar-lhes o seu Corpo e o seu Sangue, oferecer-lhes o dom precioso da sua própria presença. Sim, com todo o coração podemos rezar juntos as palavras do Salmo: «A vossa bondade e misericórdia me acompanham no caminhar da minha vida» (22, 6).
Por último lancemos, ainda que brevemente, um olhar sobre os dois cânticos da comunhão propostos pela Igreja na sua liturgia de hoje. Em primeiro lugar, temos as palavras com que São João conclui a narração da crucifixão de Jesus: «Um dos soldados abriu o seu lado com uma lança e dele brotou sangue e água» (Jo 19, 34). O Coração de Jesus é trespassado pela lança. Aberto, torna-se uma fonte; a água e o sangue que saem remetem para os dois Sacramentos fundamentais de que vive a Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. Do lado trespassado do Senhor, do seu Coração aberto brota a fonte viva que corre através dos séculos e faz a Igreja. O Coração aberto é fonte de um novo rio de vida; neste contexto, João certamente pensou também na profecia de Ezequiel que vê brotar do novo templo um rio que dá fecundidade e vida (cf. Ez 47): o próprio Jesus é o novo templo, e o seu Coração aberto a fonte da qual jorra um rio de vida nova, que se nos comunica no Baptismo e na Eucaristia.
Mas a liturgia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus prevê como cântico de comunhão ainda outra frase, ligada à primeira, tirada do Evangelho de João: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba, diz o Senhor. Se alguém acredita em Mim, do seu coração brotará uma fonte de água viva» (cf. Jo 7, 37-38). Na fé, por assim dizer bebemos da água viva da Palavra de Deus. Deste modo o próprio fiel torna-se uma fonte, dá à terra sequiosa da história água viva. Vemo-lo nos Santos. Vemo-lo em Maria que, como grande mulher de fé e de amor, se tornou ao longo dos séculos fonte de fé, amor e vida. Cada cristão e cada sacerdote deveriam, a partir de Cristo, tornar-se fonte que comunica vida aos outros. Devemos dar água da vida a um mundo sedento. Senhor, nós Vos agradecemos porque nos abristes o vosso Coração; porque, na vossa morte e na vossa ressurreição, Vos tornastes fonte de vida. Fazei que sejamos pessoas que vivem, que vivem da vossa fonte, e concedei-nos a possibilidade de sermos também nós fontes capazes de dar a este nosso tempo água da vida. Nós Vos agradecemos pela graça do ministério sacerdotal. Senhor, abençoai-nos a nós e abençoai todos os homens deste tempo que estão sedentos e andam à procura. Amen.
Saudações no final da Santa MissaQueridos sacerdotes dos países de língua oficial portuguesa, dou graças a Deus pelo que sois e pelo que fazeis, recordando a todos que nada jamais substituirá o ministério dos sacerdotes na vida da Igreja. A exemplo e sob o patrocínio do Santo Cura d’Ars, perseverai na amizade de Deus e deixai que as vossas mãos e os vossos lábios continuem a ser as mãos e os lábios de Cristo, único Redentor da humanidade. Bem hajam!

Aniversário de 2 Anos!!!

Novos Cardeais!!!

 

Sample text


O papa Bento XVI proclamou como "venerável" João Paulo II, após aprovar o decreto pelo qual são reconhecidas as "virtudes heróicas do servo de Deus" Karol Wojtyla, primeiro passo para a santidade do polonês, informou a Santa Sé.
O decreto foi aprovado durante a audiência concedida no Vaticano pelo prefeito regional da Congregação para a Causa dos Santos, o arcebispo Ângelo Amato.
A assinatura do decreto não significa a imediata beatificação de Karol Wojtyla, já que ainda falta a aprovação por Bento XVI do milagre que leve à proclamação de seu antecessor como beato.

Sample Text

Sample Text

DEUS ABENÇÕE A TODOS E A TODAS QUE ACESSARAM ESTE BLOG, E EM ESPECIAL ABRAÇO QUERO MANDAR PARA TODOS OS PADRES DA DIOCESE DE BLUMENAU,AO NOSSO BISPO DIOCESANO DOM JOSÉ NEGRI (PIME),QUE CONTO COM A COLABORAÇÃO NAS ORAÇÕES DE CADA UM NA MINHA CAMINHADA VOCACIONAL!!!

ABRAÇO FRATERNALMENTE DE SEU IRMÃO
THIAGO KRAUPPE!!!


 
Blogger Templates