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terça-feira, 19 de abril de 2011

Acervo das Últimas Noticias e Reportagens sobre o Veneravel João Paulo II!!!

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Colômbia não se esquecerá de João Paulo II

Fala César Mauricio Velásquez, embaixador junto ao Vaticano

ROMA, (ZENIT.org) - João Paulo II deixou uma marca indelével na Colômbia, que o país está recordando por ocasião da beatificação do Papa, data que coincide com os 25 anos da visita que Karol Wojtyla realizou a essa nação.

Entre os impulsores das comemorações deste simbólico aniversário, destaca-se o embaixador da Colômbia junto à Santa Sé, César Mauricio Velásquez, promotor do primeiro fórum convocado em Bogotá, em homenagem ao eminente beato, inaugurado pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em 3 de março.

O objetivo desta iniciativa, segundo o representante colombiano no Vaticano, é promover a mensagem deixada pelo Papa polonês a todas as pessoas de boa vontade.

"No mês passado, eu visitei a maioria dos lugares onde ele esteve - explicou a ZENIT. Encontrei-me com prefeitos, governadores, bispos, reitores de universidades e colégios, para reavivar sua figura. O carinho pelo Papa é imenso. Em diferentes partes do país, serão inauguradas obras públicas, escolas, igrejas e parques em sua honra."

João Paulo II, homem de Deus

João Paulo II foi "um Papa que soube amar a todos - explica. Um amigo exigente e compreensivo. Um intelectual importante do século XX, estudioso e profundo. Um homem de Deus, que passava muitas horas em oração. Era um enamorado da vida".

"Viveu em grau heroico as virtudes humanas - continua recordando. Sincero, leal, trabalhador, responsável, piedoso, caridoso."

Em especial, o diplomata citou uma cena que o tocou profundamente nesse pontificado: "Em uma viagem ao Brasil, ele entrou numa casa pobre de São Paulo e as pessoas que estavam lá, algumas crianças, pediram-lhe ajuda material; ele, depois de orar, tirou o seu anel pontifício, a única coisa de valor que carregava, e o deixou nas mãos da mãe daquelas crianças".

O Papa dos recordes e da oração

"Realmente foi o Papa dos grandes recordes, mas fiquei impressionado por ele ter sido um dos papas que mais dedicou horas e horas à oração, diante do Sacrário. De lá, ele extraía todas as suas forças, bem como da Missa que celebrava todos os dias."

"Em Cali, por exemplo, ele foi visto à 1h da manhã na capela do Seminário, recolhido em oração, e ficou assim até às 2h da manhã, enquanto todos descansavam em meio a longos dias."

O embaixador concluiu: "Nós, que tivemos a sorte de conhecer João Paulo II, agora temos o feliz dever de dá-lo a conhecer em todos os ambientes. Foi um Papa que soube amar, um amigo exigente e compreensivo, um dos mais importantes intelectuais do século XX, um homem de Deus. Um visionário que usou novas formas de comunicação para transmitir a essência do Evangelho e da doutrina cristã. Ele permanecerá na história como o grande defensor da vida e da sua dignidade".

Mais informações em www.encuentroconelpapa.com.


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O maestro de João Paulo II (1)


Entrevista com Gilbert Levine


NOVA YORK, (ZENIT.org) - Quando Gilbert Levine, em 1987, aceitou o cargo de diretor artístico e diretor de orquestra da Filarmônica de Cracóvia - naquela época dominava o comunismo e a Guerra Fria estava em pleno desenvolvimento -, ele não sabia que se converteria no "maestro do Papa".

Quando João Paulo II conheceu esse jovem diretor judeu americano na Polônia, já estavam sendo plantadas as sementes de uma história que se tornou logo depois uma amizade e uma colaboração que durou 17 anos, na reconciliação entre católicos e judeus.

Levine conversou com ZENIT sobre sua experiência, recolhida no livro "The Pope's Maestro" (‘Jossey-Bass'). Em sua opinião, a grande lição do Papa polonês é que, apesar de 2 mil anos de incompreensões e dificuldades terríveis entre judeus e católicos, "há um esforço, é possível começar um processo de cura. Não acontecerá imediatamente, mas certamente acontecerá".

ZENIT: Por que você escreveu este livro? Como amigo pessoal do Papa João Paulo II, você certamente é invejado por milhões de pessoas católicas e não-católicas. Mas o livro vai muito além da sua sorte pessoal.

Levine: Escrevi o livro porque é um caminho que, em minha opinião, pode mostrar às pessoas a nossa história como católicos e judeus, como filhos de Abraão - inclusive os muçulmanos - mas que pode dizer a uma criança ou adolescente: "Você pode ser qualquer coisa, pode fazer qualquer coisa; qualquer coisa é possível se a alma humana se abre aos demais". Acho que esta é a mensagem do livro e o que o Papa ensinou. Se ele e eu pudemos desenvolver este tipo de confiança e de amizade, então isso é possível para todos.

Acho que esta foi a mensagem, por exemplo, da Jornada Mundial da Juventude de Denver, onde, diante de 500 mil jovens católicos, ele me mostrou seu carinho e brincou comigo. Para todos esses jovens e bispos que estavam presentes, bem como sacerdotes, com suas congregações provenientes de toda a América e muitas outras partes do mundo, e muitos expoentes da Cúria, de fato, ele lhes dizia: "Estão vendo? Eu consigo. Estou unido a este judeu com uma relação cordial, aberta, familiar. Também você pode fazer o mesmo na sua casa, na sua diocese". Acho que esta lição é muito forte. E a mensagem do livro retoma esta lição: o percurso que eu fiz com esse homem incrível.

ZENIT: Então, é quase um olhar dirigido ao futuro. É algo que pode servir para as futuras gerações?

Levine: Absolutamente: João Paulo II foi o verdadeiro maestro. Foi ele definitivamente o verdadeiro maestro. Eu sabia que ele ensinava por meio de mim e dos concertos que fazíamos. Ele mostrava ao mundo que isso era possível. Dois mil anos de incompreensões, de dificuldades terríveis, mas há um esforço, é possível iniciar um processo de cura. Não acontecerá imediatamente, mas certamente acontecerá. E o que ele acreditava - e acreditava fortemente - era que a música e a minha arte poderiam ser uma maneira de enfrentar estas profundas feridas da alma humana, na construção de relações humanas e uma forma tácita de reencontrar-nos uns com os outros. Ele ensinava todos, sempre, inclusive a mim, cada dia em que tive o privilégio de estar com ele.

ZENIT: Você conta a experiência de oração vivida junto ao Papa. Poderia descrevê-la para nós?

Levine: Foi impressionante, extraordinário. O primeiro-ministro israelense, Rabin, foi assassinado. Eu deveria ir ao Vaticano para me reunir com algumas pessoas - um encontro rotineiro - para falar de projetos nos quais eu estava trabalhando. Então me dirigi a Dom Dziwisz para avisar que acabava de chegar.

Eu não tinha visto o Santo Padre desde quando fui condecorado, em 1994, e ele (Dom Dziwisz) me pediu para acompanhá-lo até a Basílica de São Pedro. Fiquei surpreso porque ele nunca tinha me pedido isso antes. Para resumir uma história longa e incrível, fui introduzido na capela privada do Papa, em São Pedro, onde ele rezava em silêncio, sentado numa cadeira em frente de um crucifixo que estava pendurado na parede. Foi-me pedido que me colocasse diante dele, e então pude ver que seus olhos estavam fechados. Era seu desejo. Ele queria que eu orasse com ele em silêncio. Fiquei imediatamente extasiado com sua maneira de rezar.

Fala-se da incrível quantidade de tempo que ele passava rezando sozinho. Às vezes, prostrado no chão, em profunda oração. E dessa vez foi algo semelhante. Uma oração em privado, incrível, poderosa. Eu senti que participava de maneira profunda da sua oração, da sua calma imensa. Havia um silêncio incrível naquele lugar. Dois padres estavam apoiados na parede e parecia que tinham parado de respirar. Era absolutamente extraordinário.

No final, o Papa levantou-se e veio em minha direção, estendeu suas mãos, segurou as minhas e me olhou nos olhos com tanta força, que eu tive de fechar os meus. Eu não conseguia olhar para ele diretamente. E então ele disse: "Sem ele, é possível haver paz?". Ele rezava, suponho, pela alma de Itzhak Rabin e pelo povo de Israel e da Palestina, pela tragédia de uma Terra Santa sem paz. Foi absolutamente extraordinário.

Então, no final do dia, eu liguei para Dom Dziwisz e perguntei: "O que foi aquilo?". Ele respondeu: "Você não sabe, maestro, que oramos ao mesmo Deus?". Foi incrível e extraordinário.

E foi o Papa quem tinha planejado tudo. Uma experiência incrível... E o olhar dos outros dois sacerdotes, vendo-me, das pessoas na capela privada, naquele ‘Sancta Sanctorum' dentro de São Pedro... Estavam estupefatos, absolutamente perplexos.

ZENIT: Após todos estes anos, o que você pensa agora sobre os seus audazes comentários, depois do seu primeiro encontro com João Paulo II em 1988: "Eu acho Santidade, que o senhor poderia conseguir a aproximação dos nossos povos (judeus e cristãos)... Eu acredito que o próprio Deus o enviou para isso"? Em seu livro, você nota que foi um pouco atrevido dizer ao Vigário de Cristo "o que tinha sido ordenado por Deus em seu pontificado".

Levine: Eu não sei quem disse essas coisas (risos). Não sei de onde vieram essas palavras, mas elas foram necessárias. Eu não pretendia dizer nada. Foi-me dito explicitamente que não deveria preparar nada para dizer e que tinha apenas que beijar sua mão; ele me abençoaria e eu teria depois uma bela foto para os netos. No entanto, fizeram-me entrar na sua biblioteca particular e ele claramente tinha algo em mente, claramente queria me conhecer, queria descobrir quem eu era.

Eu sabia que estava tendo uma oportunidade que não se repetiria. Nunca mais me encontraria com esse homem. Eu tinha que dizer-lhe o que carregava na alma. Tinha que dizer e acreditava profundamente nisso, porque eu sabia de onde ele veio, de Wadowice, da Polônia, país que tinha visto o assassinato de milhões de judeus, porque ele estava em melhor posição para compreender isso. Eu só sabia que tinha de dizer, como descendente de sobreviventes do Holocausto, que eu tinha perdido 40 membros da minha família nesse período horrendo. Eu simplesmente senti que ele esperava que eu lhe contasse isso. O mais incrível é que ele não disse uma palavra. Seu olhar estava quase horrorizado, porque estava profundamente absorto em seus pensamentos.

Acho que, para mim, foi importante dizer. Eu não sei de onde saiu isso. Certamente não era um pensamento meu. Isso me veio à mente de repente.

Eu escrevi este livro, mas eu não sou um escritor, não sei escrever obras. Mas acho que toquei uma corda no fundo da alma do Papa, talvez fosse algo que se podia fazer. Aquele estranho americano chegou à Polônia e talvez tivesse um papel a desempenhar. João Paulo II deve ter pensado isso porque, ao invés de expulsar-me para não me ver mais, este foi o início dessa amizade espiritual que se desenvolveu nos 17 anos seguintes. Olhando para trás, foi como dizemos em ‘yiddish', ‘bashert', o destino. Mas quem teria dito? Quem teria imaginado isso?

Ele sabia. Ele sabia disso porque sua visão era incrivelmente clara. Há uma imagem que talvez você tenha visto, dele no alto de uma montanha, olhando para as colinas da Judeia - uma foto tirada durante a sua viagem a Israel, em 2000. É assim que eu vejo João Paulo II: como um visionário, uma pessoa que vê além dos vales e das dificuldades, com o olhar fixo no cume seguinte. Como podem se unir Deus e um homem de maneira tão forte, de diferentes maneiras, diferentes sim, mas tão intensamente? Eu acho que ele viu naquela frase louca o começo do que eu imaginava que poderia ser o fim da nossa relação.

(Por Kathleen Naab)

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“Missão de João Paulo II foi ser testemunha”


Carta da Madre Adela Galindo por ocasião da beatificação do Papa Wojtyla




MIAMI, (ZENIT.org) - A Madre Adela Galindo, fundadora de um instituto religioso recente, de 1990, com sede na diocese de Miami (EUA), escreveu uma carta à sua família espiritual, centrada na próxima beatificação de João Paulo II, a quem considera como pai espiritual e inspirador do carisma da sua obra.

A religiosa, fundadora das Servas do Coração Transpassado de Jesus e Maria, começou a sua carta transmitindo sua alegria pela notícia da beatificação e afirmando: "Mesmo após sua morte, ele continua fazendo o mesmo que fez durante sua vida terrena: ser testemunha. Foi e ainda continua sendo o coração da Igreja e do mundo, uma grande testemunha".

E depois começa a mencionar os aspectos nos quais, para ela, o Papa Karol Wojtyla cumpriu a sua missão de ser uma testemunha fiel: "testemunha ardente de que o amor pode fazer tudo, de que o amor é possível e de que o amor é a nossa maior dignidade e, ao mesmo tempo, a nossa principal missão".

Para a Madre Galindo, João Paulo II testificou, com a sua vida e obra, "que a pessoa humana foi criada para a plena liberdade, a liberdade que se encontra no dom de escolher o bem, de fazer escolhas de alto grau do amor, escolhas que transformam sua história e a história do mundo em história de salvação. Ele foi testemunha de que o coração humano é capaz de amar até dar a vida".

Foi "testemunha da esperança cristã, testemunha de que, nos momentos terrivelmente escuros da história humana, Deus está presente, Deus entra na história, de muitas formas".

Também transmitiu o poder salvífico do sofrimento humano: "João Paulo foi formado na escola da cruz desde pequeno, testemunhou em primeira pessoa que o sofrimento, em todas as suas formas, só alcança seu significado mais profundo e sua maior fecundidade na cruz".

Ele conclui o perfil do novo beato com esta afirmação: "João Paulo II foi e é uma testemunha fiel, eloquente e autêntica do amor: amou doando-se e amou até o extremo".

Para saber mais sobre esta família espiritual: www.corazones.org.

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Andrea Riccardi escreve “A biografia” de Karol Wojtyla


Revelações e fatos inéditos sobre a vida do Papa




ROMA, (ZENIT.org) - Treze capítulos, distribuídos em mais de 500 páginas, dedicados a falar do homem e do Pontífice: esta é "A biografia" de João Paulo II (Ed. San Pablo), obra monumental de Andrea Riccardi, historiador e fundador da Comunidade de Sant'Egidio, vendida em 18 países no mundo, enquanto outros 32 estão em negociação.

Riccardi se baseia em documentos de primeira mão, relatos de testemunhas e fatos que serviram no seu processo de beatificação, para colocar no papel o "mistério" de um Papa polonês que chegou ao trono de Pedro após 455 anos de pontífices italianos.

"João Paulo II é uma grande figura do século XX." Além disso, explica o autor, "é também um personagem no século XXI: lançou-se a um novo século e sua herança religiosa continua sendo uma referência". Seu pontificado não foi nada fácil: uma vez eleito, em 1978, "enfrentou a crise do catolicismo, com um Ocidente secularizado, com um marxismo de muitas faces".

"Ele acreditava na força das energias espirituais e religiosos da Igreja e da humanidade, e também do confronto com os sistemas políticos que tinham à sua disposição ‘armas' de um tipo bem diferente e mais potente", tal como na Polônia, ocupada em primeiro lugar pelos nazistas e mais tarde governada pelo comunismo.

Em 2003, já doente e idoso, Karol Wojtyla se dirigiu ao corpo diplomático reunido no Vaticano e explicou por que "era possível mudar o curso dos acontecimentos". "Depende de cada um de nós", e esta é a simples verdade, o grande segredo. "Esta - resume Riccardi - era a sua esperança."

Sua força levou a resultados diferentes, "mais que individuais - indica o cardeal Ruini -, apesar da ainda escassa ‘distância histórica'". A primeira, sem dúvida, foi "o impulso do catolicismo, revertendo sua tendência a recuar", que no início de seu reinado parecia caracterizar os crentes, combatendo "a sua resignação diante de um mundo secular no qual se prescinde de Deus".

Em segundo lugar, o que foi "talvez o efeito mais óbvio", ou seja, o que se deu sobre a Polônia e a Europa Central e Oriental com a queda do Muro de Berlim e dos regimes comunistas, com relação aos quais ele "teve um papel imprescindível", segundo Ruini.

Como não considerar João Paulo II um "homem e Papa gigantesco, que lutou para mudar o Ocidente a partir de dentro, e assim dar-lhe um futuro"? É claro, observa Ruini, "alguém poderia perguntar se ele falhou nisso. No entanto, eu acho que é cedo para dizer, apesar de que, na consciência do Ocidente, algo mudou em profundidade. O jogo ainda não acabou".

Finalmente, Wojtyla dirigiu muita atenção ao Sul do mundo, indicando para a Igreja uma missão de solidariedade para com aqueles países, católicos e torturados pela fome, pobreza e conflitos internos dos poderes dominantes.

Tudo isso, conclui o purpurado, pode ser interpretado como o resultado da "sua forma de conjugar fé e história", na qual o teocentrismo e o antropocentrismo "não se opõem, mas se integram". No fundo, esta é a missão da Igreja, e nisso João Paulo II é considerado "um perfeito intérprete do Concílio".

Assim, poderia parecer um personagem decifrável. Mas não foi assim. Certamente, são notáveis seu humanismo e sua cordialidade no trato. No entanto, como explica Riccardi, tinha sua própria visão da história e delineou uma nova geografia espiritual do mundo, da Polônia à Itália, da América Latina à África.

Também é interessante, porque se situa na origem do "mistério" Wojtyla, um fragmento sobre Stefan Wyszynski, primaz da Igreja na Polônia. Seu dever, com base nos poderes especiais concedidos pelo Papa Pio XII, e posteriormente confirmados por seus sucessores, era escolher os candidatos ao episcopado.

Conta-se que quando, nos anos 60, o primaz tinha de negociar os nomes dos Ordinários diocesanos com o poder político polonês, surge dos círculos intelectuais de Cracóvia o nome do vigário capitular Wojtyla, mas este não estava entre os favoritos de Wyszynski.

De qualquer maneira, introduziu o nome de Karol na lista, mas no final, em último lugar. Em 1963, o Comitê Central do POUP rejeitou a seleção de candidatos, incluindo Wojtyla, considerado "um adversário teológico muito perigoso".

A pergunta que não quer calar: depois de todos esses pontos de vista negativos, como se chega à ascensão de Wojtyla? Parece, de acordo com a reconstrução de Tad Szulc, que o deputado católico Stanislaw Stomma se dirigiu a Zenon Kliszko, que, no Politburo, tratava de questões espirituais e ideológicas.

Stomma foi quem sugeriu o nome de Wojtyla como guia da arquidiocese de Cracóvia. Em 19 de dezembro de 1963, o premier Cyrankiewicz comunica ao primaz que o governo não se oporia à nomeação de Wojtyla. "Provavelmente - explica Riccardi -, a ideia de Kliszko é usar a personalidade particular de Wojtyla como uma alternativa a Wyszynski. Assim, um dirigente comunista como Kliszko esteve, depois do arcebispo que o queria como assistente, na origem da carreira que permitiu que Wojtyla fosse eleito Papa."

"Não é verdade - esclarece também Riccardi - que Wojtyla foi imposto a Wyszynski, mas sim que este não era o seu candidato preferido como arcebispo de Cracóvia." Dois homens muito diferentes, entre os quais, no entanto, havia estima. Acima de tudo, ambos "acreditam na necessidade de um forte compromisso social e não são defensores do capitalismo, mas em ambos não há sinais de apreço ou de interesse pelo marxismo. Na base das suas convicções, está a ideia de que o cristianismo é uma força libertadora da sociedade e do homem".

Isso é algo que João Paulo II defendeu com uma fé inabalável, e ainda reforçou, com a última prova de sua doença. A propósito disso, Bento XVI confiou a Andrea Riccardi: "Nesse ponto se poderia questionar: é possível governar a Igreja nestas condições de saúde? Hoje, partindo de uma visão retrospectiva, podemos entender melhor o que aqueles anos representaram (...). Vemos que é possível governar (...). É algo extraordinário. Mas depois de um longo pontificado e depois de tanta vida ativa do Papa, era significativo e eloquente um tempo de sofrimento".

(Mariaelena Finessi)

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João Paulo II, missionário contemplativo, diz Bento XVI


Palavras ao ver o documentário “Peregrino vestido de branco”




CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) - João Paulo II não foi só um missionário, segundo afirma Bento XVI. Seu zelo apostólico explica-se graças à oração, acrescenta seu sucessor e próximo colaborador durante mais de duas décadas.

O Papa traçou um breve e pessoal perfil de Karol Wojtyla ao participar da exibição do documentário “Peregrino vestido de branco” (http://www.jp2szukalemwas.pl), dirigido pelo diretor polonês Jarosław Szmidt, considerado uma das maiores produções da história dos documentários poloneses.

Na exibição, o bispo de Roma sublinhou “os dois pilares” da vida e ministério do futuro beato: “a oração e o zelo missionário”.

“João Paulo II foi um grande contemplativo e um grande apóstolo de Cristo. Deus o escolheu para a sede de Pedro e o preservou durante anos para introduzir a Igreja no terceiro milênio”, afirmou, em referência a palavras que o cardeal Stefan Wyszyński, primaz da Polônia, que, no momento da eleição do pontífice polonês, disse-lhe: ‘A te far entrare la Chiesa nel Terzo Millennio’.

“Com seu exemplo, guiou-nos nesta peregrinação, e agora segue nos acompanhando do céu”, afirmou Bento XVI, que recordou as palavras dirigidas na homilia do funeral de João Paulo II.

Naquele 8 de abril de 2005, o cardeal Joseph Ratzinger disse: "Nenhum de nós poderá esquecer que no último domingo de Páscoa de sua vida, o Santo Padre, marcado pelo sofrimento, foi até a janela do Palácio Apostólico Vaticano e deu a bênção ‘Urbi et Orbi’ pela última vez. Podemos estar seguros de que nosso amado Papa está agora na janela da casa do Pai, nos vê e abençoa. Sim, abençoe-nos, Santo Padre”.

“Peregrino vestido de branco” é uma produção que durou quase 4 anos, realizada em 12 países de 4 continentes. Mais de 50 pessoas foram entrevistadas.

Monsenhor Slawomir Oder, postulador da causa de beatificação de João Paulo II, disse que o documentário é “uma ilustração do que surgiu no processo de beatificação”.

Mais informação sobre o documentário em: http://www.h2onews.org/espanol/66-santa-sede/224448107-nuevo-documental-sobre-juan-pablo-ii.html

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Capela que acolherá corpo de João Paulo II é preparada


Túmulo do Papa Inocêncio XI foi trasladado




CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) - Na noite de 7 de abril, na Basílica de São Pedro, realizou-se o traslado do corpo do Papa Inocêncio XI (falecido em 1689) da capela de São Sebastião, que acolherá o corpo de João Paulo II após a beatificação.

Durante o rito, presidido pelo cardeal Angelo Comastri, arcipreste da Basílica vaticana, os restos mortais do beato Inocêncio foram levados, em procissão, acompanhada pelas ladainhas dos santos, ao altar da Transfiguração.

O rito concluiu com a oração e a bênção do celebrante e com a leitura do ato que registra a mudança.

A capela de São Sebastião, onde se concluíram as obras de restauro e a renovação da iluminação, acolherá agora o corpo João Paulo II.

O féretro com os restos mortais do Papa Wojtyla será retirado de seu túmulo, na Cripta Vaticana, no dia 29 de abril e colocado a 1º de maio diante do Altar da Confissão, na Basílica de São Pedro, para que os fiéis possam venerá-lo após ser beatificado por Bento XVI.


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Líder muçulmano se alegra com beatificação de João Paulo II


Ali al-Samman, do Conselho Supremo para Assuntos Islâmicos do Egito




CAIRO, (ZENIT.org) - Há muçulmanos que exultam com a beatificação de João Paulo II, como é o caso de Ali al-Samman, presidente do Comitê para o Diálogo Inter-Religioso do Conselho Supremo para Assuntos Islâmicos do Egito.

O representante de Al-Azhar, a universidade considerada pela maioria dos muçulmanos sunitas como a escola de maior prestígio, desempenhou um papel decisivo na famosa convenção que deu vida, em 1998, ao Comitê Conjunto que reúne a Universidade de Al-Azhar, no Cairo, e o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso.

ZENIT: Nos últimos dias, tem havido debates com os não-crentes no "Átrio dos Gentios". O senhor, que é um homem de diálogo, o que acha deste convite feito pelo Vaticano?

Ali al-Samman: O elemento essencial é tratar com o ser humano partindo da base de que ele é um ser humano. O homem vem antes da religião, e o diálogo do Vaticano com os não-crentes se remonta ao concílio ecumênico Vaticano II. Sem dúvida, congratulo-me com este tipo de diálogo, do qual participei na época do Beato Papa João Paulo II. Eu acho que é uma ótima maneira de construir uma humanidade com sentimentos e responsabilidades comuns.

ZENIT: Algumas pessoas na mídia árabe consideraram que as palavras do cardeal Kurt Koch sobre a promoção do diálogo entre judeus e cristãos não correspondem aos interesses do diálogo entre muçulmanos e cristãos... O senhor concorda?

Ali al-Samman: Claro que não. Não me sinto incomodado com a convergência judaico-cristã, pois é parte do sistema que eu defendo, já que somos todos filhos de Abraão, e ninguém pode agora separar os filhos de Abraão. Sabemos, também, que esse diálogo existe há muito tempo, não é novo. Eu gostaria de destacar o crescimento dos movimentos de extrema direita na Europa, que mostram hostilidade contra os judeus, e dos quais discordo. Eu acredito que a liberdade de fé e de religião são questões fundamentais em nossas vidas diárias.

ZENIT: Dom Louis Sako, arcebispo caldeu de Mossul (Iraque), disse que os Estados islâmicos não viverão em uma democracia real se os cristãos não se tornarem verdadeiros cidadãos. O senhor concorda com ele?

Ali al-Samman: A democracia está totalmente ligada à cidadania. Isso é verdade e é o centro das discussões da cidadania no Egito, razão pela qual estão em curso as sessões de diálogo nacional, neste momento. Estamos trabalhando duro para que a cidadania seja a base e é isso que as pessoas racionais no mundo islâmico estão pedindo.

ZENIT: Mas a realidade é contrária a isso?

Ali al-Samman: Uma parte da realidade poderia ser diferente. Algumas pessoas exageram, mas, no lado oposto, há pessoas que se opõem a isso e rejeitam suas alegações. Pessoalmente, eu participei em muitos programas de televisão e escrevi em jornais denunciando essas atitudes, que separam e nunca unem. Como eu, muitas pessoas estão lutando pela supremacia do conceito de cidadania.

ZENIT: É possível que o Egito se torne outro Iraque, e o futuro dos coptas seja semelhante à situação dos cristãos iraquianos?

Ali al-Samman: A história do Egito e a linguagem de seu sábio povo afirmam que o Egito não se tornará outro Iraque. É uma aposta. O Iraque usa um idioma diferente do egípcio. Apesar das declarações recentes dos extremistas, eu não acho que o Egito esteja se tornando um outro Iraque.

Além disso, devemos notar que há uma verdadeira autoridade governante no Egito, representada pelo Conselho Supremo e as forças armadas. Estes últimos não deixam de denunciar e alertar contra qualquer violação da segurança ou da legitimidade que afeta os cidadãos, especialmente os coptas. Isso ficou claro nas declarações do Conselho sobre os boatos que procuravam aterrorizar as mulheres e meninas coptas no Egito, nos últimos dias. Foi dito claramente que as violações da legitimidade e da lei não seriam admitidas.

ZENIT: Sendo o senhor a pessoa que deu uma grande contribuição na organização da visita de João Paulo II ao Egito e com quem se encontrou várias vezes depois... Como se sente diante da sua beatificação, em 1º de maio?

Ali al-Samman: Como crente, minha reação seria o desejo de orar por ele. Então direi que lhe é dado o que lhe corresponde pelo seu trabalho, pelo trabalho que eu vi, do qual participei e fui testemunha. Isso prova o quanto ele abriu seu coração, sua mente e seus braços a todo mundo. Isso é o que eu experimentei pessoalmente em Assis, quando fui fazer um discurso em nome do imame Muhammad Sayyid Tantawy.

Sem dúvida, eu serei o mais feliz da criação de Deus nesse dia.

(Emil Ameen)

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Papa João Paulo II, “um polonês que foi universal” (3)


Fala o postulador da causa do Papa polonês



ROMA, (ZENIT.org) - A beatificação de João Paulo II será um grande evento para a Polônia, mas também para o resto do mundo, pois este Pontífice sabia conjugar um grande amor por sua pátria pequena com uma abertura universal.

Isto foi afirmado, nesta terceira e última parte da longa entrevista com ZENIT, por Monsenhor Slawomir Oder, postulador da causa de beatificação de João Paulo II.

Mas, com a celebração de 1º de maio, não termina o trabalho do Pe. Oder, pois, como explicou a ZENIT, ele tem o mandato do cardeal vigário, Agostino Vallini, também para preparar a canonização.

A primeira parte foi publicada na terça-feira, 5 de abril, e a segunda ontem, quinta-feira, 7.

ZENIT: O senhor se sente sem trabalho agora, ou ainda continuará a causa de canonização, com um milagre já reconhecido?

Mons. Oder: Como comentei, este trabalho de postulação se une outras coisas, então não acho que fico sem trabalho. Em todo caso, sim, agora está em andamento toda a preparação do evento da beatificação que, é claro, envolve também a figura do postulador em alguns aspectos. Além disso, a indicação que recebi do cardeal vigário é o mandato para o processo de beatificação e canonização. E isso significa que a etapa da beatificação foi atingida. Este primeiro momento terminou, mas o processo continua até sua conclusão, com a canonização.

ZENIT: No que diz respeito à beatificação, de que forma um cristão pode se preparar para este acontecimento?

Mons. Oder: Com certeza, este tempo do processo de beatificação, para mim pessoalmente foi um tempo de exercícios espirituais, que me permitiu enfrentar tanto as razões da minha fé como o entusiasmo da minha resposta ao chamado do Senhor a ser sacerdote, porque foi um encontro maravilhoso com o exemplo de um sacerdote realizado, pleno, feliz, que deu sua vida por Cristo e pela Igreja.

E eu acho que este tempo que temos à disposição agora, que felizmente coincide com a Quaresma, é um tempo para trilhar o nosso caminho espiritual, o nosso caminho de conversão, o nosso caminho de aprofundamento da fé e do amor por Cristo, para viver verdadeiramente uma experiência particular com a Páscoa do Senhor, que, de alguma forma, continuará neste acontecimento da beatificação, porque, além disso, afinal, a Páscoa do Senhor é a referência para a vida de todos os cristãos e deve realizar-se na vida de cada um de nós. É a conclusão da vida cristã: esta Páscoa feliz é precisamente alcançar a santidade, chegar ao céu. Podemos dizer, portanto, que neste ano, realmente, temos a sorte de viver a Quaresma olhando para a Páscoa do Senhor. É um testemunho esplêndido desta Páscoa.

ZENIT: Foi falado dessa herança espiritual do Papa, que é a misericórdia. Mas se define pouco o que é a misericórdia ou como ele a concebia?

Mons. Oder: São tantas as intervenções em que ele falava justamente sobre este aspecto da misericórdia, da magnanimidade, da capacidade de imitar a grandeza do amor de Deus que se inclina diante do homem fraco e frágil... Ele mesmo dizia que o perdão - isso foi escrito na carta que ele pretendia publicar, a carta aberta a Ali Ağca após o atentado, e que depois não foi publicada - é o fundamento de todo o verdadeiro progresso da sociedade humana. A misericórdia significa essencialmente a compreensão pela fraqueza, a capacidade de perdão. Significa também o compromisso de não tomar em vão a graça que Deus dá, mas, com própria vida, produzir frutos dignos de alguém que tem sido abençoado e revestido da misericórdia de Deus.

ZENIT: Ele via no perdão, portanto, também um instrumento político ou o motor da história?

Mons. Oder: Com certeza sim, porque ele tinha uma visão cristã da história, teológica, pela qual nem tudo é suscetível apenas de um mero cálculo econômico ou político; uma visão segundo a qual a compaixão, compreensão, arrependimento, perdão, acolhimento, solidariedade, amor se convertem nos elementos fundamentais para fazer uma verdadeira política de Deus.

ZENIT: A Polônia se sentiu órfã quando ele morreu. Agora que ele volta como beato, haverá algum impacto na Igreja polonesa?

Mons. Oder: Certamente, no que diz respeito à Polônia, não há nada a dizer, foi um marco na nossa história e é um momento forte agora, muito importante, mas João Paulo II não é um fenômeno polonês. E o extraordinário, que me impressionou muito, é que um elemento de fascínio de João Paulo II foi que não se envergonhava de falar da sua pátria, da sua própria história, de usar sua própria língua, de identificar-se também com a religiosidade popular da Polônia, de falar dos seus conterrâneos. No entanto, este homem que sentia tão fortemente a pertença à sua própria nação, também soube ser um dom para os outros, e João Paulo II é um dom para a humanidade. E não foi apenas a Polônia que chorou (primeiro se alegrou e depois chorou)... Basta pensar no México, mas não somente nele... no mundo inteiro!

Ele foi verdadeiramente um dom para a humanidade. Sua grandeza é precisamente esta. Ainda permanecendo na sua própria identidade, ele soube dar um ar universal. E talvez por ter sido tão autêntico em seu amor por seu país, também deu um forte incentivo para que cada um possa reconhecer a sua própria identidade, sua história, suas raízes e, de alguma forma, levar esta riqueza dentro da realidade da humanidade, da Igreja, para criar uma cidade nova, um sentir-se todos filhos de Deus, sentir-se todos irmãos.

O segundo aspecto que se refere propriamente à Polônia e que foi muito edificante para mim, foi o momento da eleição de Bento XVI; os fiéis poloneses na Praça de São Pedro - que tinham vindo em grande número para o funeral e que depois permaneceram, já que, durante esses anos, para nós, os poloneses, Roma tornou-se, como para João Paulo II, uma segunda casa - gritaram "Viva o Papa!" em italiano e polonês. E isso realmente me fez entender como havia amadurecido e crescido a fé dessas pessoas, dessa igreja, ao lado desse Papa que soube viver o seu ministério com uma personalidade tão forte, tão carismática e ainda foi capaz de dar o valor justo ao seu ministério com Pedro, Vigário de Cristo. Agora que ele já não está, a Igreja permanece, está Pedro, há um Papa novo, um Papa alemão.

ZENIT: Houve quem viu com receio a decisão de João Paulo II de instituir a Jornada Mundial da Juventude, pelas situações de promiscuidade que poderia haver entre os jovens?

Mons. Oder: Não havia receio por parte do Papa ou dos jovens que ainda pensavam de forma antiquada. Ele pensava de forma muito moderna. Ele era um sacerdote que sentia. Ele mesmo disse que o dom é um mistério, que o sacerdote não deve tentar estar sempre na moda, porque já está sempre na moda, e sempre atualizado, pois o que um sacerdote representa é Cristo, e Cristo é sempre o mesmo. Então, a novidade que um sacerdote traz é Cristo. E ele soube convocar esses jovens com base na novidade que é Cristo.

ZENIT: Depois, ele nos fez dormir nos corredores do Pontifício Conselho para os Leigos, pois não havia lugar para abrigar os jovens na primeira Jornada Mundial da Juventude, de 1985, com sacos de dormir diretamente no chão, sob os afrescos...

Mons. Oder: Quem teria pensado de uma revolução desse tipo? Mas isso é o que foi visto desde o primeiro dia, no início de seu pontificado, quando ele levantou a cruz, contra todos os protocolos, quando se aproximou das pessoas, contrariando toda tradição. Já se via essa novidade no dia da eleição, quando, do balcão, além da bênção, ele falou. Imagine a surpresa!

ZENIT: Será que os jovens que não conheceram João Paulo II nos perguntarão o que podemos dizer sobre ele?

Mons. Oder: Acho que serão os jovens da geração João Paulo II que falarão aos seus filhos desse pai, porque, efetivamente, a figura de João Paulo II era a personificação da paternidade. Ele era um pai, e as pessoas o amaram, lutaram com ele. Eu me lembro, acho que foi no México, de um encontro no qual o Papa teve um diálogo com os jovens, e perguntava: "Vocês renunciam à riqueza?", e eles respondiam: "Sim, nós renunciamos". "Renunciam à arrogância?", "Sim, nós renunciamos". E depois: "Renunciam ao sexo?", e eles gritaram: "Não, isso não!". Houve um diálogo, digamos, quase dialético, com os jovens, que também o amaram. Eles não aplicaram tudo, mas quiseram ouvir e, para mim, este é o mistério da sua paternidade. Não era só saber estar com eles, com os jovens, enquanto brincava com a bengala, quando se balançava com eles, quando cantava, quando seguravam suas mãos... Todos estes são gestos belíssimos. Mas a verdadeira paternidade que ele soube exercer estava em elevar o nível diante deles, porque um pai que ama seus filhos não se contentará com o fato de que jovens vivam na mediocridade, mas, conhecendo-os, saberá que têm um potencial, uma riqueza. Ele foi um pai. Não podia não exigir, não tentar, não querer, não incentivá-los. E ele fez isso. Eles nem sempre respondiam, mas sabiam que ele confiava neles, realmente apostava neles.

E eu, pessoalmente, tive um pensamento que me marcou, que permaneceu comigo desde o primeiro encontro que tive com ele, quando veio para a Polônia e falou aos jovens do país. No ambiente cinzento do comunismo, sua visita foi o primeiro raio de luz. E então ele nos disse: vocês, jovens, devem esperar muito de vocês mesmos, mesmo quando ninguém espera nada de vocês. Vocês devem ser exigentes com vocês mesmos. E estas são palavras de um pai.

(Anita S. Bourdin e Sergio Mora)

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João Paulo II conquistou o amor do mundo


Artigo do cardeal Eugenio de Araújo Sales



RIO DE JANEIRO, (ZENIT.org) - Apresentamos artigo do cardeal Eugenio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, divulgado à imprensa nesta semana, intitulado “João Paulo II”.

* * *

A propósito da beatificação do Papa João Paulo II, a ser realizada no próximo dia 1º de maio, gostaria de recordar este homem de Deus que durante 27 anos esteve à frente da Igreja de Cristo.

Sem armas, sem poder temporal, obediente somente ao mandato do Senhor, “Confirma teus irmãos na fé” (Lc 22,30), João Paulo II conquistou o amor do mundo.

Dentre os inúmeros acontecimentos que atestaram esta realidade podemos destacar dois. Um foi a intensa e comovente reação em todos os quadrantes da terra ao atentado de 13 de maio de 1981. Sobre esse dia, escreveu ele no seu Testamento: “(...) no dia do atentado ao Papa, durante a audiência geral, na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me de modo milagroso da morte. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento, ela pertence-lhe ainda mais (...). Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo quiser. ‘Na vida e na morte pertencemos ao Senhor... somos do Senhor’" (cf. Rm 14,8). Pessoas de todas as condições sociais, de crenças as mais diversas, sofreram terrível impacto e se uniram na dor, nas lágrimas e na confiança. Outro fato, não menos impactante, mas permeado de uma profunda espiritualidade, foram os momentos que se seguiram desde o final dos seus dias até o seu sepultamento. A 2 de abril de 2005, o mundo chorou a morte do Papa e se regozijou por ter mais um intercessor junto de Deus.

Em pouco tempo, João Paulo II se constituiu em patrimônio da Humanidade. Todos nós fomos feridos nos sentimentos de amor e admiração pela figura invulgar daquele Papa que, para nós, brasileiros, o chamava-nos de “João de Deus”. Foi o guardião duma verdade que não é deste mundo, mas que nasce do mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo, sem interesses outros que não os de revelar ao homem sua sublime dignidade. Tornou-se símbolo de Fé para tantos que já não mais sabiam crer. Conseguiu devolver a muitos confiança e imortal esperança.

Quem não se lembra de seus ensinamentos? A dignidade intocável do homem, eis o grande tema básico! Em sua Encíclica “Dives in Misericordia”, de 30 de novembro de 1980, com voz poderosa, parece querer acordar um “gigantesco remorso” na consciência dos povos: “Enquanto uns, abastados e fartos, vivem na abundância, dominados pelo consumismo e pelo prazer, não faltam, na mesma família humana, indivíduos e grupos sociais que passam fome. Não faltam crianças que morrem de fome sob o olhar de suas mães” (VI, 11.4).

João Paulo II compreendeu profundamente os arcanos, os abismos do coração. Descreveu, numa visão genial, as aspirações da época moderna. Diante do mistério da iniquidade, capaz de transformar em rancor, ódio e crueldade a promoção do direito, exclama: “A experiência do passado e do nosso tempo demonstra que a justiça, por si só, não é suficiente” (Idem VI, 12.3). Se o indivíduo não “recorrer a forças mais profundas do espírito, forças que condicionam a própria ordem da justiça”, será ameaçado o fundamento jurídico.

Constituído por Jesus Cristo como Pastor e Mestre, foi, em seu Pontificado, símbolo de misericórdia.

Hoje, com tamanhos sofrimentos que assolam o mundo, tanta dor, morte sem pranto, corações revoltados e que não querem aprender a confiança, repitamos o convite de João Paulo II: “Devemos recorrer a esta mesma misericórdia em nome de Cristo e em união com ele (...). O Pai, aquele que vê o que é secreto, está continuamente à espera, por assim dizer, de que nós, apelando a ele em todas as necessidades, perscrutemos cada vez mais o seu mistério: o mistério do Pai e do seu amor” (“Dives in misericordia”, I, 2.7).

Quando falamos em João Paulo II, naturalmente, vem à lembrança suas viagens ao Brasil. Particularmente, as duas vindas ao Rio de Janeiro. Em 1980 preparamos detalhadamente a primeira visita que teve a participação de uma multidão de fiéis, mas o que assisti em 1997, por ocasião do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias, ultrapassou tudo o que já havia presenciado em outras ocasiões. Na verdade, convivi com um homem marcado pelo sofrimento, as angústias da humanidade. Ao mesmo tempo, percebia a leveza de espírito que anunciava a alegria do Evangelho autêntico.

Sem se cansar ele conquistou o afeto do povo brasileiro, que carinhosamente chamava de “João de Deus”. Os homens de cultura receberam suas sábias e exigentes orientações. Os doentes, os mais pobres, os leprosos, não só viram suas lágrimas, mas dele ouviram a palavra da Fé, da fraternidade, da esperança e do amor que já não morre. Os políticos e as crianças, índios, os agricultores, operários e presidiários, os sacerdotes, os religiosos, os bispos, todos acolhemos filialmente suas diretrizes, novo ânimo e segurança.

As vibrações do entusiasmo de nosso povo significavam realmente a imagem simbólica e representativa da admiração e gratidão que o mundo devota ao Papa João Paulo II.

Nosso “João de Deus” fez renascer a confiança e esse estado de espírito jamais será estéril. Seu exemplo, ainda hoje, deve acordar nossas consciências para os ensinamentos de quem recebeu de Cristo a missão de encaminhar os homens para Deus.

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João Paulo II: homem e Papa (2)


Fala o postulador da causa do Papa polonês



ROMA, (ZENIT.org) - Karol Wojtyla foi um grande intelectual, um Papa jovem e valente, acostumado com as dificuldades, que havia vivido sob um regime totalitário e que não buscava ser "politicamente correto", embora sempre tenha sido um homem de diálogo.

Também foi o Papa que fez de sua adaptação à doença uma catequese vivente, um homem que vivia a mortificação voluntária ao estilo carmelita, alguém que clamou contra a guerra e contra o aborto.

Na segunda parte desta entrevista a ZENIT, Mons. Slawomir Oder, postulador da causa de beatificação de João Paulo II, não evita nenhuma pergunta sobre o Papa polonês, tampouco sobre a questão de abusos por parte do clero ou sobre o caso Maciel.

ZENIT: Devido à sua condição mística, ele se encontrava um pouco sozinho com relação aos outros, porque era um comunicador...

Mons. Oder: O encontro com o Senhor é sempre um caminho solitário. É claro que somos sustentados pela Igreja, pelos irmãos na fé, mas depois cada um de nós deve percorrer este caminho sozinho. Sua relação era pessoal e individual, muito profunda. As pessoas que o assistiram contam frequentemente que tinham a clara percepção de estar frente a um momento, por assim dizer, de ‘raptus' místico, no qual ele se encontrava em um diálogo tão profundo com o Senhor, que a única coisa que se podia fazer era dar meia volta e deixá-lo viver esse momento.

ZENIT: Nesse diálogo, havia algo que supusesse uma cruz para João Paulo II? Ele falava muito do sofrimento e da solidariedade. Havia coisas que o preocupavam, neste sentido?

Mons. Oder: Um homem com uma sensibilidade tão grande como a dele não poderia permanecer indiferente diante dos sofrimentos do mundo. E nós constatamos isso: ele estava muito atento a qualquer coisa que acontecesse no mundo. Não tinha medo de elevar a voz e dizer as coisas que não correspondiam ao modo de pensar comum - por exemplo, seu apaixonado apelo à paz, na véspera do conflito do Golfo, quando disse: "Eu pertenço à geração que conhece a guerra". Foram palavras muito fortes. Com certeza, um pensamento que não se adaptava ao "politicamente correto"...

Seguramente, ele sempre guardou no coração, como uma grande preocupação, o silencioso genocídio que ocorre com o aborto. A pergunta sobre a riqueza da vida humana desde a concepção com certeza foi uma dor constante em sua vida.

ZENIT: Como as autoridades polonesas viam João Paulo II?

Mons. Oder: Elas o temiam. Há indícios, na documentação dos Serviços Secretos, que falam da periculosidade de Karol Wojtyla. Ele era perigoso porque era um intelectual sublime, um homem de diálogo; do ponto de vista moral, não podiam atacá-lo. É precisamente por este motivo que ele era perigoso: porque era um homem íntegro, um homem de Deus, um homem de diálogo, de abertura, absolutamente preparado no âmbito intelectual, superior, e o temiam. Acho que, como sempre, o Senhor é maior que eles. O maligno fazia suas contas e Deus fazia as d'Ele. Karol Wojtyla não passou despercebido à atenção dos comunistas.

Talvez temessem mais o cardeal Wyszyński, porque era um homem diferente, inclusive na forma de agir perante as autoridades. E a Providência também conduziu a história de João Paulo II dessa maneira.

Eu me lembro, quando ele foi eleito, do desconforto dos jornalistas, que não sabiam como transmitir a notícia que, por outro lado, era vital para a Polônia. Foi uma das muitas notícias que deram durante o informativo. Tinham de transmiti-la.

Lembro-me também da primeira viagem que ele fez. Foi algo surpreendente: não sabiam como convidá-lo ou quem deveria convidar. Ele foi convidado pela Igreja, mas também era um hóspede do governo. Encontraram uma estratégia diplomática para que tudo funcionasse, porque, de qualquer forma, como polonês, ele podia voltar. Ele quis voltar e voltou levando verdadeiramente o fermento da revolução do espírito. Naquela primeira viagem se via como a mídia polonesa foi manipulada. Se prestarmos atenção às filmagens, veremos que, em primeiro plano, só aparece o Papa ou algum idoso, sem nenhum sinal dos milhares de pessoas que rodeavam o Pontífice. Nenhum rosto jovem, nem tampouco famílias.

ZENIT: Quando João Paulo II assumiu o Pontificado, na Igreja havia uma série de problemas que pareciam quase sem solução: por um lado, estava a teologia da libertação; por outro, o cisma lefebvrista. No final do seu pontificado, foram dados muitos passos para unir a Igreja e resolver esses problemas...

Mons. Oder: Sim, certamente ele foi um Papa que ofereceu, providencialmente, energia ao seu ministério petrino, era um Papa jovem. Era também um Papa acostumado a viver uma situação de enfrentamento com a hostilidade: a Igreja na Polônia enfrentava o comunismo. Um Papa de grande preparação intelectual e cultural, científica, um Pontífice de grande sensibilidade, inclusive estética, atento a muitos valores.

Ele soube dar frescor à Igreja, fazendo sempre referência ao frescor que o Concílio Vaticano II proporcionou. É o Papa que atualizou, que levou adiante o pensamento do Vaticano II. Neste sentido, deu muitos passos, levou a cabo muitas atividades que puderam reafirmar um pouco o barco da Igreja.

ZENIT: Do início ao fim do seu pontificado, percebe-se um enorme progresso, neste sentido.

Mons. Oder: Certamente, uma renovação da fé, do entusiasmo evangélico.

ZENIT: "Sou Papa porque sou Bispo de Roma." Como ele viveu este aspecto?

Mons. Oder: Ele se sentia Bispo de Roma, e repetiu-o muitas vezes: "Eu sou Papa porque sou Bispo de Roma". E isso significava a sua escolha para o estabelecimento de seu pontificado. Sempre manteve um interesse especial pela sua diocese. Sinal deste interesse foram as suas visitas pastorais, feitas sempre.

ZENIT: Há dois momentos nos quais eu vi o Santo Padre quase ficar bravo: em uma entrevista para defender a família e contra a máfia na Sicília. Foi porque a vida estava em jogo em ambos os casos?

Mons. Oder: Certamente pela vida, mas também porque é a verdade sobre o homem. Ele foi um Papa que estabeleceu o seu pontificado em uma chave muito humanista, no sentido evangélico. Sua primeira encíclica, ‘Redemptor hominis', dá uma boa perspectiva sobre o modo de compreender a centralidade do homem, que tem o próprio Cristo no centro de sua existência; um humanismo cristão, portanto. Sua preocupação pela vida humana em todas as suas dimensões foi baseada no conceito cristão que ele tinha da vida, pela qual o Salvador tinha dado a sua.

ZENIT: Há uma santidade e uma paternidade. Ele falou sobre essa paternidade. Eu sempre me perguntei se um dia veríamos a beatificação do pai de Wojtyla, porque é uma figura de pai verdadeiramente extraordinária, que marcou o seu filho.

Mons. Oder: Absolutamente. Vendo esta família, percebemos como o Senhor trabalhou desde sempre. João Paulo II sempre disse que este foi seu primeiro professor de espiritualidade, o primeiro guia na vida espiritual, o primeiro seminário que ele fez. Ele certamente tinha a imagem desse pai, desse militar, soldado, que se ajoelhava e orava à noite diante da imagem de Nossa Senhora. São coisas que permanecem no coração de um jovem. Um homem que acompanhou o seu filho em peregrinação a Czestochowa. Iniciou-o na oração. Mas havia também a figura de seu irmão, irmão, Edmund, que também era uma pessoa incomum. Dedicou-se inteiramente ao serviço da caridade, pagando depois em primeira pessoa.

ZENIT: Foi ele quem quis a beatificação dos pais de Teresa de Lisieux. Em sua família fazia sentido que os esposos possam ser beatificados...

Mons. Oder: Para mim, é difícil dizer isso, mas certamente ele teve um extraordinário exemplo de vida. De qualquer forma, ele deu claros sinais de estar realmente convencido da verdade confirmada pelo Concílio Vaticano II, ou seja, a vocação à santidade de todos os cristãos, e, com suas beatificações e canonizações, que percorrem todo o tecido da Igreja, deu um sinal tangível de que é possível para todos.

ZENIT: Como ele viveu o final do pontificado? Porque no começo não se sabia muito sobre o problema dos padres pedófilos, dos abusos... Se para um cristão isso é muito sério, como seria para um Papa?

Mons. Oder: Basta recordar sua reação quando o problema veio à tona: convocou todos os bispos norte-americanos a Roma, para resolver a situação. Quando tomou conhecimento dessas situações dolorosas, ele se envolveu e estava determinado a dar uma resposta adequada.

Foi ele quem emitiu as novas regras que tinham a ver com esses crimes, como instrumento legal para tratar dessas situações.

ZENIT: Para um papa deve ser terrível, algo dentro de casa. Não é o comunismo, um inimigo externo...

Mons. Oder: Você mesmo deu a resposta. Devemos lembrar, portanto, que certas situações, com sua gravidade e extensão, apenas com o tempo chegaram a ser conhecidas. De determinadas situações, ele não tinha conhecimento, ou pelo menos de toda a sua profundidade e gravidade.

Diante de situações de certa gravidade, nós o víamos pessoalmente afetado, pela necessidade de tomar decisões e medidas; ele agia como um verdadeiro crente: como um sacerdote, ele jejuava, orava e se mortificava. Estes são os instrumentos com os quais é preciso lidar frente a situações que não dependem de nós, mas às quais nós podemos responder apenas aumentando o bem que se opõe à realidade do mal.

ZENIT: Já na idade avançada, os sacrifícios da sua vida eram evidentes, mas os da sua juventude não são muito conhecidos. O senhor poderia nos contar algo mais, além do jejum e sacrifícios que mencionou?

Mons. Oder: O sofrimento causado pela doença foi um aspecto que, no final de sua vida, tornou-se praticamente o ícone de seu pontificado, mas não foi a única dimensão da mortificação em sua vida.

Desde jovem, foi iniciado na espiritualidade carmelita. Era fascinado pelo Carmelo, tanto que, quando ele ainda era jovem, pensou na vocação carmelita. Ele era fascinado por São João da Cruz, Santa Teresa, Santa Teresinha e, portanto, as práticas de penitência pessoal estiveram presentes em sua vida. Este foi um aspecto que ninguém conhecia, e só soubemos dele no contexto do processo; eu me lembro que impressionou a muitos quando este fato veio à tona. E sim. Foi um sinal da sua profunda fé, da sua vida espiritual.

ZENIT: Que fatos vieram à luz, neste sentido?

Mons. Oder: Foram as pessoas mais próximas a ele, que tinham contato diário com o Papa, que perceberam isso, em determinadas situações.

ZENIT: Falando de sofrimento, eu soube recentemente que, sendo bispo da Cracóvia, ele escreveu uma carta aos doentes para confiar o seu episcopado a eles, à sua intercessão. É realmente uma chave para este pontificado. O Papa doente que não só participa da cruz, mas se apoia nesta comunhão da Igreja.

Mons. Oder: Absolutamente, mas este é também o sentido cristão do sofrimento. Não confiou aos doentes somente o seu ministério como bispo da Cracóvia. No período em que desenvolveram os trabalhos do Concílio Vaticano II, ele pedia o apoio dos doentes para que se colhessem bons resultados do Conselho. Ele os fazia participar deste evento extraordinário. Eu acredito que a Carta "Salvifici doloris" dá uma perspectiva geral da visão de João Paulo II, do sentido cristão do sofrimento, quando fala da participação pessoal nos sofrimentos de Cristo, e quando fala do Evangelho do Bom Samaritano, que é sobre esta realidade do sofrimento.

ZENIT: E ele quis, além disso, a fundação do "Bom Samaritano" para os portadores de HIV...

Mons. Oder: Devemos lembrar que, no que diz respeito ao mundo do sofrimento, ele foi quem criou o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde.

ZENIT: Aqui vem outra questão dolorosa... Saiu à luz todo o caso do Pe. Maciel, dos Legionários de Cristo. Ele soube. E isso veio à tona no final do seu pontificado...

Mons. Oder: Nós fizemos todas as investigações que, é claro, estavam destinadas a aprofundar neste caso tão doloroso para a Igreja, que efetivamente explodiu, praticamente, após a morte de João Paulo II. Convém recordar, no entanto, que as investigações foram realizadas durante o pontificado. E assim, destas investigações que tínhamos realizado com base na documentação, pode-se excluir qualquer envolvimento pessoal do Santo Padre neste assunto, no sentido de que, efetivamente, o que ele sabia, na época da sua morte, era o que todo mundo sabia naquele momento.

ZENIT: O Papa João Paulo II levou até o fim a sua doença, sem escondê-la em nenhum momento. Isso foi um pouco "escandaloso", em um mundo onde todos têm medo do envelhecimento, de não ser eficientes. E depois vimos as multidões que faziam fila na Via da Conciliação para vê-lo... Qual foi o aspecto que mais o impressionou de João Paulo II?

Mons. Oder: Sua incapacidade de falar, quando ele ficou mudo, quando eu não podia dizer mais nada, mas simplesmente perseverava, permanecia, expressava a sua proximidade, seu amor, seu "estou aqui" diante do Senhor, sem esconder-se; e, nesse momento, verdadeiramente, ele ofereceu os maiores exercícios espirituais, sem dizer nada, simplesmente como testemunha. E foi uma maneira muito serena de levar adiante essa realidade que faz parte da experiência humana. Podemos considerá-la como uma perspectiva da vida cristã; também o sofrimento e a morte são parte da vida, naturalmente, como uma viagem. Com este testemunho, com o seu "não envergonhar-se", ele devolveu esperança a muitos, especialmente dignidade às pessoas que muitas vezes são marginalizadas, escondidas e fechadas, quase como uma vergonha, porque são portadoras de doenças, de velhice.

Vivemos numa civilização que quer, de alguma forma, exorcizar a morte, como nos Estados Unidos, onde existe toda uma indústria para embelezar a morte, tanto que quase não parece ser morte. Ele foi adiante com estes sinais de sofrimento, da morte que se aproximava, dando a entender que é uma etapa da vida.

(Anita S. Bourdin e Sergio Mora)

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Em Roma, tudo pronto para beatificação de João Paulo II


Tudo o que é preciso saber sobre a organização do evento



CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) - Em Roma, está tudo pronto e ainda há espaço para os peregrinos que queiram participar da cerimônia de beatificação de João Paulo II. Há lugar não só em hotéis, mas também nos institutos religiosos.

Além disso, para os jovens haverá um campo com barracas montadas perto do aeroporto Fiumicino e uma série de serviços para ajudar os peregrinos.

A informação foi dada hoje em Roma, na Sala de Imprensa vaticana, na qual intervieram o cardeal Agostino Vallini, vigário-geral de Sua Santidade para a diocese de Roma, o Pe Federico Lombardi, SJ., diretor da ‘Rádio Vaticano' e da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Pe. Cesare Atuire, gerente da Obra Romana de Peregrinações, Dom Marco Frisina, diretor do Escritório de Liturgia do Vicariato de Roma, e o Pe. Walter Inser, encarregado do Gabinete de Comunicação do Vicariato de Roma.

Embora a conferência tenha sido principalmente sobre os aspectos práticos, o cardeal Vallini quis recordar a dimensão espiritual do evento. "Os santos são o Evangelho encarnado - disse -, como João Paulo II, que o demonstrou focando a sua fé em Deus." E acrescentou: "Ele falou até com o seu silêncio e nos ensinou inclusive a morrer e viver em uma época em que é discutida a eutanásia".

Três celebrações

No sábado, 30 de maio, acontecerá a vigília de oração no ‘Circus Maximus', que terá um tom universal, mas também muito romano, e da qual todos podem participar", explicou o cardeal.

Entre outros eventos, nesta vigília - explicou sua eminência - haverá depoimentos como o do cardeal Stanislaw Dziwisz, secretário particular do Papa durante 27 anos, do ex-porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, e da freira Marie Simon Pierre, que obteve a cura milagrosa do Mal de Parkinson, usada na causa de beatificação de João Paulo II.

"Na parte final - indicou o cardeal Vallini -, teremos a alegria de contar com a presença do Santo Padre, que, conectado do Palácio Apostólico, rezará a oração final e dará a bênção apostólica a todos os participantes."

Dom Frisina acrescentou que "nessa noite estarão abertas 8 igrejas do centro histórico, no trajeto que vai do ‘Circus Maximus' até São Pedro, em uma noite branca das igrejas".

Missa de beatificação

A liturgia será realizada no domingo. A comunhão será distribuída na Praça de São Pedro por 500 sacerdotes, e outros 300 o farão na Via da Conciliação.

E nas igrejas conectadas com telões para acompanhar a Missa, será possível comungar nesse momento. Na Via da Conciliação e em áreas adjacentes, serão instalados 14 telões.

Após a Missa, a Basílica de São Pedro será aberta; no altar da confissão estará, no caixão fechado, o corpo de João Paulo II, que será venerado em primeiro lugar pelo Papa e pelos cardeais. Em seguida, será aberta ao fluxo de peregrinos e fiéis, e permanecerá aberta enquanto houver pessoas.

Financiamento

O cardeal Vallini quis lembrar que o erário público não deve pagar o evento. "O financiamento será feito com a ajuda das instituições, bancos, etc., e com um esforço da nossa parte."

O prelado recordou que, no site do evento, as informações estão em cinco idiomas e reafirmou que "o ‘JPII pass' não é um bilhete para as celebrações. Por outro lado, envolve uma série de serviços que incluem acesso gratuito ao transporte público, passeios, lugares ‘Pack lunch', outras informações e ‘gadgets'".

"Ainda há espaço disponível em Roma, inclusive nas instituições religiosas. Além disso, a região do Lácio disponibilizou um acampamento montado na área de Fiumicino, para os jovens", disse.

Onde informar-se

Nos pedágios de entrada de Roma, haverá grupos de voluntários que darão as indicações. E no site oficial (http://www.jpiibeatus.org) estão todas as informações; lá se pode comprar o ‘Special JPII Pass', que permite, entre outras coisas, o transporte gratuito.

O Pe. Lombardi acrescentou que "o canal 105 da ‘Rádio Vaticano' vai fornecer informações a cada 15 minutos, em diferentes línguas".

Outro desafio do evento - disse o Pe. Wanted Inser - é contar aos adolescentes quem foi João Paulo II, e os próprios jovens o farão. Para isso, foi apresentada a iniciativa "Sentinelas digitais", que se refere ao uso das redes sociais.

"Nós quisemos - acrescentou - aceitar este desafio emocionante e lançar um novo projeto, justamente durante a beatificação de João Paulo II, usando o conhecido portal ‘Pope2You', do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que, por seu caráter, é destinado aos jovens.

Haverá também exposições e o Museu Vaticano estará aberto até meia-noite.


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Processo de beatificação de João Paulo II foi normal (1)


Fala o postulador da causa do Papa polonês



ROMA, (ZENIT.org) - O processo de canonização de Karol Wojtyla cumpriu todos os requisitos canônicos que são necessários em qualquer processo desse tipo. A única dispensa que houve foi a de não esperar cinco anos para a sua introdução.

O fundamental é que o milagre necessário para a beatificação teve lugar quase que imediatamente, alguns meses após morte do Papa.

Quem explica é Mons. Slawomir Oder, postulador da causa de beatificação de João Paulo II, nesta entrevista a ZENIT, quem descreve o processo como "uma belíssima aventura" pessoal.

A segunda parte será publicada no boletim de amanhã.

ZENIT: De que maneira o senhor, como sacerdote, viveu este processo? Foi uma cruz, uma alegria? O que mudou, o que aconteceu?

Mons. Oder: Na perspectiva da Páscoa, a cruz é sempre o prelúdio da alegria. Em outro lugar não há verdadeira alegria, como é ensinado na transfiguração de Jesus, sem passar pela cruz. A tarefa dada a mim tinha seus aspectos pascais, ainda que somente fosse porque se sobrepôs o trabalho que realizo regularmente como vigário judicial à atividade pastoral que conduzo como reitor da igreja romana. Por isso, muitas coisas se juntaram nestes cinco anos, ocupando o meu dia a dia. Além disso, o próprio processo apresentava alguns elementos que exigiam um grande esforço, um grande envolvimento, inclusive no âmbito emocional. Para isso, não me faltaram momentos de dificuldade.

ZENIT: Todos concordam em que João Paulo II seja um santo e, portanto, o processo de canonização parecia quase um passeio. No entanto, o Papa pediu que se seguisse o processo normal. Apesar disso, as pessoas estão um pouco confusas, porque também foi dito que há uma via preferencial e os tempos foram rápidos. No caso de João Paulo II, houve um processo normal?

Mons. Oder: Absolutamente, sim. A única exceção que se obteve para esse processo foi dispensa da espera de cinco anos para iniciá-lo. Mas o próprio processo evoluiu, com certeza, seguindo as normas canônicas, com todos os critérios que existiram para outros processos canônicos. Por isso, não houve nenhuma verdadeira dispensa, uma via preferencial, neste sentido. No entanto, o que podemos dizer é que a práxis da Congregação é levar adiante as causas que, para além das virtudes heroicas, já têm o milagre, pois são dois processos diferentes. Normalmente, na Congregação, o processo se desenvolve da seguinte forma: realiza-se a investigação diocesana, tramita-se a documentação para a Congregação para as Causas dos Santos, onde se prepara a ‘positio', para então ser submetida à discussão dos teólogos e cardeais. E a ‘positio' espera, pois é necessário um milagre.

A ‘positio' foi levada adiante e imediatamente submetida à discussão dos teólogos e cardeais porque o milagre que deveria acreditar a causa aconteceu muito rápido, e o processo sobre o milagre foi depositado na Congregação para as Causas dos Santos um dia antes do processo sobre as virtudes; isso, de alguma maneira, facilitou a possibilidade de seguir adiante.

ZENIT: Quanto tempo passou desde a morte de João Paulo II até a apresentação do milagre?

Mons. Oder: O milagre, reconhecido como tal, aconteceu em julho do mesmo ano.

ZENIT: E quanto tempo passou até ser reconhecido?

Mons. Oder: Nós concluímos o processo em 2007, e o do milagre foi apresentado um dia antes do encerramento da investigação diocesana sobre as virtudes. Então, estamos falando de junho de 2007.

ZENIT: Foram apresentados outros milagres?

Mons. Oder: Houve muitas graças e outros supostos milagres. Destes, alguns foram investigados, porque é a prática habitual. Antes de realizar um estudo sobre o milagre, faz-se um estudo preliminar que, de certa forma, garante o próprio processo. Em alguns casos, investigamos e as premissas eram boas. Não se deu continuidade porque estava em andamento o processo sobre o milagre escolhido.

ZENIT: O senhor poderia nos dizer em que países se deram estas graças?

Mons. Oder: Aconteceram na França, Estados Unidos, Alemanha e Itália.

ZENIT: Foi necessária toda a pesquisa médica?

Mons. Oder: É um fato normal que, nos processos sobre os milagres, desenvolva-se uma investigação e que todo o material obtido seja submetido, em seguida, ao estudo de médicos; é óbvio que um médico pode pedir mais esclarecimentos, qualquer documento ou uma análise complementar. É muito normal. Foram realizadas todas as investigações consideradas oportunas pelos médicos envolvidos no processo.

ZENIT: O senhor descobriu coisas que não sabia de João Paulo II? Algum aspecto particular que o tornava diferente de sua imagem pública?

Mons. Oder: Já tive a oportunidade de comentar essas coisas. É claro que o processo foi uma belíssima aventura, porque nunca se conhece uma pessoa plenamente. E, por isso, muitos aspectos têm a ver com os detalhes da sua vida, das atividades e contatos que ele tinha com as pessoas. Mas eu diria que é uma aventura que poderia ocorrer em todas as pessoas, porque cada um é um mundo. No entanto, com relação ao que emergiu no processo de beatificação, não há elementos extraordinários. Wojtyla era, de fato, como nós o conhecemos em público. Por isso, não houve um desdobramento, mas uma perfeita transparência do personagem. Certamente, o processo trouxe à luz muitos aspectos.

ZENIT: Houve algo que lhe chamou a atenção, algo que o senhor não conhecia?

Mons. Oder: O que me impressionou, além de ser o aspecto mais importante, foi descobrir que a fonte, a origem dessa atividade extraordinária, dessa generosidade no agir, da profundidade do seu pensamento, era a relação com Cristo. Aqui se destaca, certamente, um homem místico. Um místico porque era um homem que vivia a presença de Deus, que se deixava guiar pelo Espírito Santo, que estava em constante diálogo com o Senhor, que organizou sua vida em torno da pergunta: "Tu me amas?". Assim, sua vida foi a resposta a esta pergunta essencial do Senhor. Por isso, acho que este aspecto é o maior tesouro do processo.


***

João Paulo II, grande pontífice e testemunha de Cristo, diz Papa


Nesse sábado se celebrou o sexto aniversário da morte de Wojtyla



CIDADE DO VATICANO, (ZENIT.org) - Em suas saudações após rezar o Angelus neste domingo com os peregrinos na praça de São Pedro, Bento XVI recordou seu predecessor, João Paulo II, de quem se celebrou nesse sábado o sexto aniversário de falecimento. O Papa Karol Wojtyla morreu às 21h37 do sábado 2 de abril de 2005.

“Por ocasião de sua iminente beatificação, não celebrei a tradicional Missa de sufrágio por ele, mas o recordei com afeto na oração, como creio que todos vós”, disse o Papa, dirigindo-se aos fiéis em italiano.

“Enquanto através do caminho quaresmal nos preparamos para a festa da Páscoa, aproximamo-nos com alegria também do dia em que poderemos venerar como beato este grande pontífice e testemunha de Cristo, e nos confiarmos ainda mais à sua intercessão”, afirmou.

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Haverá lugar para todos na beatificação de João Paulo II


Organização desmente que se criou “situação de emergência” e incentiva a participar



ROMA, (ZENIT.org) - "Roma está pronta para acolher todos os peregrinos que quiserem vir: temos disponibilidade de lugares, assim como todas as cidades perto de Roma."

Estas foram as palavras de Dom Liberio Andreatta, na apresentação operacional dos eventos relacionados à beatificação de João Paulo II. A reunião foi realizada na sede do Vicariato de Roma, com a presença de significativas autoridades civis, desmentindo assim as vozes que anunciavam uma situação de emergência.

Para se deslocar dentro Roma, o bilhete dos peregrinos permitirá utilizar o transporte público gratuitamente durante os três dias; o metrô funcionará 22 horas por dia (exceto das 2h às 4h).

Para chegar à capital, serão utilizados os trens, os mesmos que em dia úteis transportam milhares de pessoas, só que, nesses dias, sem o fluxo de trabalhadores. Haverá também uma "noite branca" de igrejas e locais de entrega de pacotes com alimentos.

"Esta será uma demonstração de como João Paulo II é amado", disse Dom Andreatta, que precisou: "Escolheu-se o dia 1º de maio, domingo ‘in Albis', porque é dedicado à Misericórdia Divina, porque ele quis santificar Santa Faustina e porque morreu logo depois das vésperas da Festa da Divina Misericórdia."

Os três eventos relativos à beatificação são:

- A vigília no ‘Circus Maximus', em 30 de abril, presidida pelo cardeal Agostino Valli, organizada pela diocese de Roma e à qual Bento XVI participará por meio de uma conexão de vídeo. Será possível entrar enquanto houver espaço e não se precisará de ingressos ou tickets.

- A Missa da beatificação de João Paulo II, em 1º de maio, às 10h, presidida pelo Santo Padre. Depois, na basílica de São Pedro, no altar da Confissão, será aberta a veneração dos restos mortais de João Paulo II, até o final da fila de fiéis.

- A Missa de Ação de Graças, na segunda-feira, 2 de maio, em São Pedro. O evento conclusivo será presidido pelo secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone.

Durante a coletiva de imprensa, foi reiterado várias vezes que não haverá tickets para entrar no ‘Circus Maximus' nem em São Pedro. Ninguém pode, portanto, vender bilhetes de entrada para os eventos.

A organização do evento foi confiada à Obra Romana de Peregrinações (ORP), que preparará, no ‘Circus Maximus', o sistema de vídeo, áudio e palco para a celebração da vigília, que estará conectada, pela internet, a cinco santuários do mundo.

As áreas periféricas de São Pedro serão equipadas com telões: Castel Sant'Angelo, Via della Conciliazione, Piazza Risorgimento e outros lugares, tudo gerido por 2.500 voluntários.

Também serão distribuídos pacotes com alimentos; a ‘Nestlé' doou um milhão de garrafas de água. Haverá um kit de informações, com passeios na região do Lácio, que estão relacionados com a vida de João Paulo II, além de serviços de cuidados à saúde. Serão facilitadas as tarifas de trem, de companhias aéreas, navios etc.

"Os custos, ao contrário de outras vezes, considerando a difícil situação econômica atual - disse Dom Andreatta -, não pretendem pesar nos balanços das administrações públicas." E indicou: "Nós sabemos, através da Cáritas, que muitas famílias têm dificuldade para chegar ao final do mês. E embora cada evento traga riqueza, porque a prefeitura acaba recolhendo impostos, o verdadeiro evento é religioso e, portanto, queremos pensar também nessas famílias".

"O custo estimado é de três ou quatro euros por pessoa. Não se sabe, portanto, o montante total do evento, visto que variará segundo a quantidade de pessoas que vierem a Roma", disse Dom Andreatta, acrescentando: "No final do evento, será divulgado o orçamento de forma transparente, de modo a saber como os recursos foram utilizados. Tudo faturado e com IVA".

O Pe. Caesar Atuire, administrador da ORP, reiterou: "Não há nenhuma emergência, há lugares para todos. Venham a Roma, que Roma os acolherá".

Sobre os preços inflacionados de hotéis, lembrou que assinaram um decálogo ético com a federação hoteleira e as coisas estão voltando ao normal. E reiterou que "ninguém está autorizado a vender ingressos para entrar na Praça de São Pedro nem para outros eventos".

Atuire recordou que "ninguém será deixado de fora por motivos financeiros; os jovens que não têm como pagar alojamento terão lugares exclusivos para dormir".

Em relação ao estacionamento, haverá várias áreas em torno de Roma. Assim, o sistema será reforçado com meios de transporte e principal será o trem. Também haverá estacionamentos facilitados para pessoas portadoras de deficiência.

O tempo aconselhado para viver bem o evento, disse o Pe. Atuire, é de três dias.

"Haverá uma organização modular- reiterou -, que permitirá assistir todos os peregrinos que quiserem vir. O número pode mudar e nós estamos prontos." Estima-se que serão pelo menos 300 mil peregrinos.

Após o evento, se sobrarem fundos das doações recebidas, serão destinados a um refeitório para os desabrigados na área da estação Termini.

Sobre a coincidência com as celebrações de 1º de maio, considerado por alguns como uma data que a Igreja está "roubando" dos trabalhadores, o Pe. Atuire disse que "não existe conflituosidade com o concerto de São João de Latrão, porque a cerimônia será de manhã e o concerto, à tarde". Ele também lembrou que o dia 1º de maio é a festa de São José Operário e que a palavra "roubo" sugere uma ideologização.

Em 5 de abril, haverá uma coletiva de imprensa institucional, com o conteúdo do evento e alguns novos detalhes.

Sobre a presença de 300 mil peregrinos, considerados poucos com relação aos dois milhões estimados inicialmente, o gerente da ORP considerou que depende também de como são feitos os cálculos, visto que, se forem baseados nos eventos, pode-se chegar até a 1,5 milhão.

Abriu-se, além disso, uma conta em diversos bancos e os doadores não pagarão taxas extras.

Do selo comemorativo se ocupará o Ministério do Desenvolvimento e ele será oficialmente entregue em 29 de abril, junto com a medalha; ambos estão baseados em uma foto de João Paulo II, tirada em 1999.

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O papa Bento XVI proclamou como "venerável" João Paulo II, após aprovar o decreto pelo qual são reconhecidas as "virtudes heróicas do servo de Deus" Karol Wojtyla, primeiro passo para a santidade do polonês, informou a Santa Sé.
O decreto foi aprovado durante a audiência concedida no Vaticano pelo prefeito regional da Congregação para a Causa dos Santos, o arcebispo Ângelo Amato.
A assinatura do decreto não significa a imediata beatificação de Karol Wojtyla, já que ainda falta a aprovação por Bento XVI do milagre que leve à proclamação de seu antecessor como beato.

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DEUS ABENÇÕE A TODOS E A TODAS QUE ACESSARAM ESTE BLOG, E EM ESPECIAL ABRAÇO QUERO MANDAR PARA TODOS OS PADRES DA DIOCESE DE BLUMENAU,AO NOSSO BISPO DIOCESANO DOM JOSÉ NEGRI (PIME),QUE CONTO COM A COLABORAÇÃO NAS ORAÇÕES DE CADA UM NA MINHA CAMINHADA VOCACIONAL!!!

ABRAÇO FRATERNALMENTE DE SEU IRMÃO
THIAGO KRAUPPE!!!


 
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