
Palavras de Bento XVI, na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo Apóstolos
CIDADE DO VATICANO, domingo, 03 de julho de 2011 – Apresentamos a uma espiritualidade pronunciada por Bento XVI nesta quarta-feira (29/06/2011), solenidade dos santos Pedro e Paulo, antes de rezar a oração mariana do Ângelus juntos a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
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Hoje, na solenidade dos santos Pedro e Paulo, padroeiros desta cidade, cantamos assim: “Feliz Roma, porque foste empurpurada pelo precioso sangue destes grandes príncipes. Não pelo teu louvor, mas pelos seus méritos, superas toda beleza!”. Como cantam os hinos da tradição oriental, os dois grandes apóstolos são as “asas” do conhecimento de Deus, que percorreram a terra até seus confins e subiram ao céu; eles são as “mãos” do Evangelho da graça, os “pés” da verdade do anúncio, os “rios” da sabedoria, os “braços” da cruz (cf. MHN, t. 5, 1899, p. 385).
O testemunho de amor e de fidelidade dos santos Pedro e Paulo ilumina os pastores da Igreja, para conduzir os homens à verdade, formando-os na fé em Cristo. São Pedro, em particular, representa a unidade do colégio apostólico. Por este motivo, durante a liturgia celebrada nesta manhã na Basílica Vaticana, impus a 40 arcebispos metropolitanos o pálio, que manifesta a comunhão com o Bispo de Roma na missão de guiar o povo de Deus à salvação. São Irineu, bispo de Lyon no século II, escreveu que, à Igreja de Roma, propter potentiorem principalitatem [por sua peculiar principalidade], devem convergir todas as demais igrejas, isto é, os fiéis que estão em todas as partes, porque nela foi custodiada sempre a tradição que vem dos apóstolos (Adversus haereses, III,3,2).
É a fé professada por Pedro que constitui o fundamento da Igreja: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo”, diz o Evangelho de Mateus (16, 16). O primado de Pedro é uma predileção divina, como é também a vocação sacerdotal: “porque isso não te foi revelado pela carne nem pelo sangue – diz Jesus –, mas pelo meu Pai que está nos céus” (Mt 16, 17). Assim acontece com quem decide responder ao chamado de Deus com a totalidade da própria vida. Eu me lembro com muito carinho deste dia, no qual se cumpre meu sexagésimo aniversário de ordenação sacerdotal. Agradeço ao Senhor pelo seu chamado e pelo ministério que me confiou; e agradeço também a todos aqueles que, nesta circunstância, manifestaram-me sua proximidade e seu apoio à minha missão com a oração, que, de todas as comunidades eclesiais, sobe incessantemente até Deus (cf. Atos 12, 5), traduzindo-se em adoração a Cristo Eucaristia, para acrescentar a força e a liberdade de anunciar o Evangelho.
Neste clima, saúdo cordialmente a delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, presente hoje em Roma, seguindo a significativa tradição, para venerar os santos Pedro e Paulo e compartilhar comigo o auspício da unidade dos cristãos querida pelo Senhor.
Invoquemos com confiança a Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, para que todo batizado se converta cada vez mais em uma “pedra viva” que constrói o Reino de Deus.
[Tradução: Aline Banchieri. © Libreria Editrice Vaticana]







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