
Assassinado em 1943 pela Gestapo
BERLIM, terça-feira, 14 de junho de 2011 - Ser sacerdote católico foi o que levou o Pe. Alois Andritzki, de apenas 28 anos, a ser preso e depois assassinado no campo de concentração de Dachau, na Alemanha, em 1943.
Este sacerdote foi beatificado hoje, na diocese de Dresden-Meissen, em uma cerimônia presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em representação do Papa Bento XVI.
O próprio Papa se referiu ontem ao testemunho do Pe. Andritzki ao concluir a oração do Regina Caeli, no Vaticano.
“Seus companheiros de prisão testemunharam que ele passou entre eles como um santo e que morreu com essa fama - disse a ZENIT o postulador para a sua causa de beatificação, o advogado Andrea Ambrosi. Sua atitude foi a de alicerçar sua fé em uma atitude sempre alegre. Por isso, todos o amavam e o seguiam prontamente.”
Sua vida
o Pe. Alois nasceu em 1914, em Radibor, uma pequena população situada no oriente da Alemanha, limitando com a Polônia. Sua família fazia parte de uma pequena porcentagem de católicos que viviam nesse lugar composto por imigrantes dos países eslavos.
Aos 20 anos, ingressou na faculdade de teologia da academia arcebispal de Paderborn. Lá mostrou seu interesse pela filosofia e pela pedagogia.
Depois entrou no seminário de Meißen Schmochtitz, em Bautzen. Em 1938, recebeu a ordenação diaconal e, um ano mais tarde, a sacerdotal. Trabalhou como capelão na paróquia Hofkirchede-Dresda. Lá, encarregava-se do apostolado com os jovens.
“Foi um sacerdote humilde, simples e sempre disponível para ajudar o próximo - conta o advogado Ambrosi. Além disso, amava os esportes e dizia constantemente que um espírito são habita em um corpo vigoroso.”
Mas, no inverno de 1941, chegou uma ordem de prisão, depois de ele ter promovido uma representação teatral na qual mostrava como terminariam os cristãos na 2ª Guerra Mundial.
“Por meio de uma testemunha ocular, sabemos que, no final da obra, a Gestapo chegou e ele teve de anotar os nomes de todos os presentes. O capelão Andritzki já estava sendo particularmente vigiado, tanto que à ameaça seguiu a convocação no quartel e depois a prisão”, anota Ambrosi.
“O texto demonstra que a causa foi sua fé e o perigo que seu ministério sacerdotal representava para o nazismo”, diz. Depois da prisão, o Pe. Alois permaneceu sob custódia cautelar.
“No entanto, considera que Andritzki fez declarações hostis contra o Estado, infringindo, dessa maneira, o 2º capítulo da lei contra a perfídia. Desde este momento, o crime não podia permanecer na impunidade e era necessário dispor de uma ação penal para o acusado”, conta o postulador.
“A acusação do procurador se baseou em provas inexistentes - diz Ambrosi. Mas nelas ele fez de tudo por construir uma espécie de castelo acusador que silenciasse um sacerdote que testemunhava com muito ardor a sua fé, e isso era intolerável para o regime nacional socialista.”
Assim, foi remitido pela Gestapo à prisão política de Dresde, onde permaneceu dois meses. Supostamente já havia terminado sua pena, mas, ao invés de sair, foi levado ao campo de concentração de Dachau.
A família mandou apelar à justiça. Seu pai, Johann Andritzki, escreveu uma comovente carta ao escritório da alta segurança do Reich de Berlim, na qual pedia que seu filho fosse libertado, porque já não havia mais pena a cumprir. Porém, o esforço foi em vão.
Assim, o sacerdote foi assassinado em 3 de fevereiro de 1943. A causa da morte, segundo os informes da Gestapo, foi o tifo abdominal, mas na verdade, depois de ele ter se recuperado na enfermaria, lhe deram uma injeção letal.
Uma testemunha ocular disse que o jovem sacerdote estava moribundo, duas camas ao lado dele, e “por isso deu fé do fato de que o capelão de Dresda era um rapaz muito dotado, além de ser um bom esportista”, diz Ambrosi. Seu corpo foi arrastado e depois incinerado.
Seu testemunho parecia um bálsamo para os que estavam no campo de concentração: “No terror no qual todos viviam no campo de concentração de Dachau, dizia de Alois que quem o via pela manhã permanecia repleto de alegria durante o dia todo”, conclui o advogado Ambrosi.







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